Chuvas favorecem queda da inflação

Depois do repique de alta da inflação em julho e agosto, as chuvas que ganharam força em setembro em todo o País estão colaborando para a redução mais rápida nos preços dos produtos agrícolas. Foram esses itens que pressionaram fortemente os índices de inflação nos dois últimos meses. Segundo o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fernando Montero, o efeito positivo do regime de chuvas, que começou mais cedo esse ano, já pode ser sentido e a expectativa é de deflação nos preços dos alimentos. O impacto positivo das chuvas pode ser percebido no preço da carne. Com a chuva, o pasto, queimado pela seca, volta aos campos proporcionando a recuperação do gado e consequentemente dos preços. "O pecuarista que tem animais confinados acaba liberando o produto porque sabe que os pastos estão voltando e os preços vão cair", ressalta Montero. "A seca antecipou a entressafra, só que o regime de chuvas está antecipando o fim da entressafra", observa o secretário-adjunto. Com a antecipação do final da entressafra pelas chuvas, todo o calendário agrícola está se antecipando.O curto ciclo de produção de muitos produtos, como hortifrutigranjeiros, feijão e frango, ajuda na redução dos preços. "A alta de hoje gera a baixa de amanhã, porque esses produtos tem uma resposta a oferta muito rápida", explica Montero. Além disso, começa a ser normalizada a oferta de produtos que podem ser importados, como milho e trigo. Em pouco tempo o produto vem de fora e o preço volta a cair.SucroalcoleiroO único grupo de produtos que não deve apresentar queda neste ano é o sucroalcoleiro, porque o Brasil é um dos maiores produtores, e a quebra da safra no País acabou afetando o preço internacional. Para o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, o repique dos preços dos alimentos ocorrido em julho e agosto é uma reprodução do que ocorreu entre o terceiro trimestre e início do quarto trimestre do ano passado.O problema neste ano é que essa alta dos alimentos veio acompanhada do impacto do aumento das tarifas públicas e dos combustíveis. "No ano passado, o reajuste das tarifas aconteceu no meio do ano, e a entressafra depois, o que diluiu um pouco o impacto", diz Amadeo. "Agora, foi tudo junto: petróleo, alimentos e tarifas."Para o secretário, as primeiras prévias dos índices de inflação estão confirmando os sinais de queda dos preços este mês, apontados pelo Boletim de Acompanhamento Macroeconômico, divulgado pela Secretaria de Política Econômica, em agosto. "Os índices estão vindo rigorosamente dentro do que se esperava num diagnóstico de que a alta de inflação de julho e agosto era um repique transitório, que seria revertido em setembro e outubro", afirma. O secretário lembra que o mundo inteiro está vivendo um choque de oferta neste momento em razão da variação dos preços do petróleo.

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