Alexandre Marchetti/Itaipu
Alexandre Marchetti/Itaipu

Chuvas garantem energia e poupam uso de térmicas

Volume de água sobe 15,5 pontos porcentuais nas usinas do Sudeste e do Centro-Oeste

Nicola Pamplona, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

As fortes chuvas que vêm provocando transtornos em todo o País estão contribuindo para recuperar os reservatórios das hidrelétricas, que terminaram 2010 no pior nível para um fim de ano desde 2003. Só em janeiro, com chuvas acima da média, o nível dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste subiu 15,5 pontos porcentuais, para 60,2%. O volume de chuvas provoca redução no preço da energia no mercado atacadista.

Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste, considerados a caixa d"água do País, chegaram ao dia 31 de dezembro com 44,7% de sua capacidade. Ao fim de 2009, esse número era de 72,5%. A recuperação neste mês foi provocada por um ritmo de chuvas equivalente a 136% da média histórica para a região, informa o Boletim Preliminar Diário de Operação do ONS referente à última quinta-feira.

A melhoria no nível dos reservatórios se traduz em menor necessidade de uso de térmicas durante o ano e em redução nos preços da energia no mercado atacadista, que são calculados com base em uma fórmula que considera a previsão de chuvas para a semana seguinte.

Dados divulgados pela Câmara Comercializadora de Energia Elétrica (CCEE) indicavam que os preços da energia no Sudeste/Centro-Oeste (considerados pelo ONS como um único subsistema) para a semana que vem estarão entre R$ 21,56 e R$ 22,64 por megawatt-hora, queda de 13% com relação à semana anterior.

"A redução dos preços da quarta semana de janeiro de 2011 ocorreu devido à previsão de afluências no submercado Sudeste estar mais otimista", informou a CCEE, em nota oficial distribuída ontem. Os preços vinham sendo negociados em baixa, mas sofreram um repique na semana passada por conta de piores previsões de chuvas.

Reservas. "Acredito que chegaremos a abril (início do período seco) com os reservatórios bastante cheios", comentou o professor Nivalde de Castro, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico do Instituto de Economia da UFRJ. Ele lembra que o modelo de segurança do setor não permite mais que as térmicas passem o ano desligadas - elas são ligadas para manter os reservatórios em níveis seguros para o ano seguinte - mas não deverá haver geração térmica extraordinária este ano.

Além da ocorrência de chuvas, os reservatórios do Sudeste vêm sendo beneficiados pela transferência de energia do Sul e do Norte, comum essa época do ano, segundo o boletim de operações do ONS. O Sul está mandando 1,9 mil megawatts (MW) médios e o Norte, 1,2 mil MW médio.

Parte dessa energia está sendo deslocada para o Nordeste, que também recebe suprimento do Norte, onde a situação é mais crítica. De acordo com o ONS, os reservatórios do Nordeste estão com 55,2% de sua capacidade de armazenamento de energia e as chuvas na região estão abaixo da média histórica. Usinas térmicas também estão sendo acionadas na região, cujos reservatórios cresceram 10 pontos porcentuais desde o início do ano.

Ao todo, informa o ONS, a geração térmica no Nordeste atingiu 800 MW na última quinta-feira. Segundo a CCEE, a transferência de energia do Sudeste para o Nordeste em carga leve já chegou ao seu limite, o que gera preços maiores na região. Para a semana que vem, os preços do mercado atacadista no Nordeste serão de R$ 22,39 para carga leve e R$ 22,64 para carga pesada - nesse caso, o mesmo valor das outras regiões.

Embora tenham entrado o ano em baixa, os reservatórios das regiões Sudeste/Centro -Oeste e Nordeste estão bem acima da Curva de Aversão ao Risco (CAR), limite mínimo para garantir a segurança do abastecimento. No Sudeste, a CAR para quinta-feira estava em 11,3%.

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