Chuvas no Sul reduzem risco de apagão e Itaipu abre comportas

Comitê de monitoramento do setor elétrico diz que o risco de apagão caiu de 3,7% em maio para 2,5% em junho

Anne Warth, Agência Estado

11 de junho de 2014 | 15h13

 

 

O risco de desabastecimento de energia elétrica na região Sudeste e Centro-Oeste caiu de 3,7% em maio para 2,5% em junho, segundo nota divulgada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), grupo coordenado pelo Ministério de Minas e Energia.

A cheia que atinge o sul do Brasil elevou em quase 27 pontos percentuais o nível de hidrelétricas da região desde o fim de maio, dando um alívio às represas após a seca.

No Nordeste, o risco de déficit continua zero. Segundo o documento, "houve melhoria nas condições de suprimento de energia do sistema elétrico nacional".

O porcentual considera a série história de informações climáticas utilizadas no Programa Mensal da Operação (PMO) do Operador Nacional do Sistema (ONS), que tem 81 anos.

Chuvas. As chuvas concentradas somente no Sul ainda não são suficientes para assegurar que não haverá dificuldades de fornecimento de energia neste e no ano que vem no Brasil.

Isso ocorre porque os reservatórios da região Sudeste/Centro-oeste, os mais importantes para o país, estão diminuindo desde abril, mostrando nível cerca de 37,2 por cento atualmente. 

Já no sul, o nível das represas está a 81,7 por cento, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), acima do patamar de 80,8 por cento registrado no fim de junho de 2013. 

 

 

 

Itaipu. A hidrelétrica Itaipu, no Paraná, está com duas calhas do vertedouro abertas desde domingo à noite e, atualmente, está deixando passar cerca de 9,7 mil metros cúbicos de água por segundo sem gerar energia -- procedimento normal em períodos de cheia.

Na terça-feira, a cota de água próxima à Ponte da Amizade, que liga Brasil a Paraguai, estava em cerca de 125 metros, na terceira maior cheia a atingir a região em todos os tempos, só perdendo para 1992 e 1983, segundo a assessoria de imprensa de Itaipu. O nível do rio Paraná subiu 16 metros em 25 horas.

Já o volume de chuvas ao longo do rio Iguaçu, durante o último fim de semana, superou o recorde histórico registrado durante a grande enchente de julho de 1983, segundo a Copel, empresa de energia que opera hidrelétricas ao longo do rio. 

"Diferente daquele ano, quando as chuvas se concentraram nas cabeceiras do rio (...) desta vez as chuvas se dispersaram ao longo da calha do rio, reduzindo o impacto sobre os municípios" próximos, informou a companhia.

Riscos. A informação sobre a queda no risco de desabastecimento foi antecipada na semana passada pelo Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado. Considerando a série sintética do comitê de monitoramento do setor elétrico, com dois mil cenários, o risco nas regiões Sudeste e Centro-Oeste caiu de 6,7% para 4,8%, e no Nordeste, ficou em 1,3%.

"Outras avaliações de desempenho de sistema, utilizando-se o valor esperado das previsões de afluências e anos semelhantes de afluências obtidas do histórico, confirmam a garantia de suprimento no ano de 2014", diz a nota, ressaltando a importância do parque gerador de usinas térmicas como complemento às hidrelétricas.

Para o período entre 2015 e 2018, o risco de falta de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste permanece em 4%. No Nordeste, esse risco continua em 0,4%. O risco estaria dentro do planejamento, pois continua abaixo do 5% toleráveis pelo Conselho Nacional de Política Energética(CNPE).

Segundo o documento, o sistema elétrico tem equilíbrio estrutural e uma sobra de energia de 5.500 MW médios para atender a carga prevista. O CMSE destacou que as afluências (quantidade de água que chega aos reservatórios das hidrelétricas) em maio atingiram 76% da média histórica no Sudeste/Centro-Oeste, 41% no Nordeste, 135% no Sul e 101% no Norte.

O CMSE ressalta ainda que as intensas chuvas na Região Sul levaram os reservatórios das bacias dos rios Uruguai, Iguaçu, Jacuí e Itaipu "praticamente a seus armazenamentos máximos".

Diferentemente da nota divulgada no mês passado, o CMSE não comparou os dados aos verificados em 2001, ano do racionamento de energia. Com agência Reuters

 

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