Chuvas trazem alívio para estoque de energia no País

Os reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste ultrapassaram, no último domingo, a marca de 60% de sua capacidade, devido às fortes chuvas que vêm caindo nas últimas semanas, principalmente em Minas Gerais. O volume de energia armazenada ainda é inferior aos 70% registrados no mesmo período do ano anterior, mas já indica uma recuperação do estoque brasileiro de energia, que ficou debilitado no período de seca, quando o País não pôde contar com todas as térmicas a gás."As primeiras chuvas deram um alívio e, se o ritmo for mantido em fevereiro e março, a tendência é que precisemos menos do gás natural em 2007", avalia o professor Nivalde de Castro, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) do Instituto de Economia da UFRJ. Segundo seus cálculos, se as chuvas continuarem a cair nas próximas semanas, é possível que as regiões Sudeste e Centro-Oeste iniciem o período seco (de abril a outubro) com o estoque de energia em um nível maior do que o do mesmo período de 2005.No ano passado, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) foi obrigado a gastar o estoque de água nos reservatórios das hidrelétricas devido a problemas no fornecimento de gás para usinas térmicas. Entre agosto e setembro, o ONS determinou que as térmicas gerassem 5,3 mil megawatts (MW), mas as usinas não conseguiram entregar nem 2 mil MW. O operador, então, teve de recorrer a usinas mais caras, como térmicas a óleo, ou usar mais água em hidrelétricas. No período mais crítico do ano, em novembro, o nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste chegou a bater os 40% da capacidade total. Nada que se compare com os 20% a 30% do período pré-racionamento de energia, em 2000, mas o suficiente para se acender uma luz amarela no setor, uma vez que há claras restrições na oferta de gás natural até 2009. O coordenador do programa de planejamento energético da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, lembra que o nível atual dos reservatórios está acima do limite de segurança previsto pela curva de aversão a risco, que é de 25% para este mês. Mas ressalta que há uma série de ameaças ao abastecimento durante o ano. "Em primeiro lugar, as chuvas são imprevisíveis. Até agora choveu bem e os prognósticos para o período são bons, mas ninguém pode garantir que vai continuar chovendo", destaca.Além disso, Pinguelli diz que o País pode enfrentar problemas caso o consumo de energia cresça muito, uma vez que não há gás disponível para acionar as térmicas. "Vivemos uma situação semelhante à do período anterior ao racionamento. A única diferença é que agora está chovendo, caso contrário estaríamos vivenciando uma nova crise", avalia. "São Pedro deve ser petista", brinca.

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