Cia pode não seguir regras do Novo Mercado

As empresas dispostas a aderir ao Novo Mercado poderão deixar de seguir uma das normas que estão no regulamento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As regras iniciais previam emissões, pelas companhias, de no mínimo 25% do capital em ações (o chamado free float) No entanto, uma resolução do conselho da Bolsa paulista abriu a possibilidade de que esse porcentual seja atingido em até três anos desde que passe antes por uma avaliação.É o que vai fazer a Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), a primeira a lançar papéis no Novo Mercado, no fim de janeiro. O presidente da empresa, Renato Alves Vale, disse que um lançamento de 25% resultaria em excesso de recursos para a CCR. Por isso, a empresa só irá emitir 20% e espera captar por volta de R$ 350 milhões. "Desde o início dissemos que existe um prazo para a adaptação do free float", afirmou a gerente de projetos especiais da Bovespa, Maria Helena Santana.O Novo Mercado tem regras rígidas de transparência. A flexibilização levanta discussão entre especialistas de mercado. Uma das maiores preocupações dos investidores é a liquidez dos papéis. Quanto maior o "free float", mais as ações são negociadas. Acaba surgindo um questionamento sobre o porcentual ideal para as emissões. Levantamento com base nos dados da Economática mostra que, das 57 ações presentes na carteira do Ibovespa, 11 possuem "free float" inferior a 25%.DiscussãoO risco de diluição também aparece, já que pode ocorrer um aumento de capital no futuro para a adequação. "Esse risco não irá preocupar se seguirem as regras", acredita o presidente da Associação Nacional dos Investidores do Mercados de Capitais (Animec) , Waldir Corrêa.A discussão ganhou destaque depois que o diretor financeiro da Petrobrás, João Batista Nogueira, disse que a estatal deve ganhar o selo nível 2 da Bovespa sem seguir duas normas: prêmio de controle para minoritários e direito de voto para preferencialistas em assuntos especiais. A justificativa é que a companhia fica impedida devido à Lei do Petróleo.O presidente da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec) de São Paulo, Francisco Petros, lembrou que o Novo Mercado conta com uma Câmara de Arbitragem. "Se existir alguma empresa problemática, a câmara resolve."

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