Cias ainda não divulgam informações sócio-ambientais

A BM&FBovespa apresentou hoje, no Fórum Corporativo de Sustentabilidade Rio+20, os primeiros resultados do "Relate ou Explique". Seguindo uma recomendação encaminhada em dezembro, as companhias listadas tiveram até 31 de maio para informar a bolsa se publicam e onde informações sócio-ambientais. Em caso negativo, deveriam explicar o motivo.

MARIANA DURÃO, Agencia Estado

16 de junho de 2012 | 19h21

De 448 companhias, 96 (21,43%) publicaram informações e 107 (23,88%) explicaram porque não divulgaram os dados. A fatia das que não publicaram ou comentaram essa ausência foi significativa: 245 (54,69%). "Achamos que é um bom resultado. Boa parte das que não publicaram disseram considerar relevante fazê-lo e que estão se preparando para isso", diz a diretora de sustentabilidade da BM&FBovespa, Sonia Favaretto.

Entre as empresas que compõem o IBrX (com as 100 ações mais líquidas da bolsa) a situação muda um pouco: 52,13% publicaram informações, 23,4% comentaram e 23% não reportaram ou deram explicações.

A intenção da bolsa é facilitar o acesso do investidor às informações sobre a atuação social e ambiental das companhias abertas, agora reunidas no site da BM&FBovespa. A ação foi inspirada em iniciativas como a da bolsa de Johannesburgo, na África do Sul, que tem o Relate ou Explique como critério de listagem. A BM&FBovespa preferiu não tornar obrigatória a divulgação.

"Se você cria uma obrigatoriedade antes do mercado estar preparado alguns podem fazer apenas para cumprir tabela", diz Sonia. Ela acredita que em cerca de dois anos a recomendação estará incorporada à cultura dessas empresas, assim como aconteceu quando o Novo Mercado mostrou seu valor para o negócio das companhias.

Mas o fato de haver uma carta do próprio CEO da bolsa, Edemir Pinto, convocando as empresas, porém, acabou atraindo um público que até então ficava distante das discussões sobre sustentabilidade: os diretores de Relações com Investidores. Para Sonia foi um avanço: "Enquanto a sustentabilidade não se plugar com a questão financeira continuará sendo poesia", diz a executiva.

Outro ponto que deve incentivar a adesão das companhias a se adequarem à nova agenda é a convicção da bolsa sobre o efeito positivo de relatórios consistentes de sustentabilidade em seus papéis. "O feedback (retorno) que temos de investidores internacionais, em especial euopeus, é que isso aumenta a competitividade das empresas brasileiras", afirma Sonia.

Ela destaca que hoje muitos grupos já seguem os padrões do Global Reporting Iniciative (GRI) para reportar dados sócio-ambientais. O descasamento entre a publicação dos balanços financeiros e de sustentabilidade, entretanto, impedem que esses últimos dados sejam levados em conta por analistas na hora de precificar as ações. "É importante integrar o timing dessas informações", acredita.

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