Ciclo altista de juros está perto do fim, prevê economista

O professor Eduardo Giannetti, do Ibmec, acredita que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverá encerrar o ciclo de altas da taxa básica de juros iniciada em setembro do ano passado. "O BC resolveu apertar a política monetária, num ciclo contracionista que vem se prolongando até agora e que, muito provavelmente, se encerra com a próxima reunião do Copom, que deve promover mais um aumento em 0,25 ou 0,50 ponto porcentual", previu Giannetti, em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". "Nós saímos de uma situação de retomada para uma situação de tentar garantir que o crescimento seja sustentado."Giannetti disse que os efeitos da política monetária iniciada em setembro só começam a ser sentidos agora, por causa da defasagem de tempo. "Já há indícios claros de que o processo de expansão de demanda e de produção no Brasil está em desaceleração", explicou o professor. Por esse motivo, os novos arrochos na política monetária seriam inócuos para a inflação deste ano, raciocina. "O que a política monetária pode fazer pela inflação deste ano é algo que está praticamente se esgotando." Para ele, o PIB este ano deverá crescer de forma aceitável. "Nós vamos caminhar para um crescimento que não será espetacular, mas, na média, superior ao resultado que a gente vem tendo no Brasil nos últimos 15 ou 20 anos, com crescimento em torno de 3,5% ao ano."Na opinião de Eduardo Giannetti, a política fiscal tem sido antagônica à política monetária do próprio governo, obrigando o Banco Central a apertar ainda mais os juros para perseguir a meta inflacionária. "O gasto público do Brasil aumentou muito no ano passado, numa política fiscal na contramão da política monetária. Uma é contracionista e a outra expansionista", alertou o professor. "Ajudaria muito se o próprio governo tocasse a mesma música na mesma orquestra. Na situação de hoje, é como se fosse uma orquestra em que cada parte toca uma música diferente, o que aumenta muito a sobrecarga da política monetária."

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