Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Cidadão merece ter novas alternativas no seu 'cardápio' de opções previdenciárias

Vale a pena insistir na ideia de utilizar a expertise do Tesouro para desenvolver um instrumento previdenciário

Fábio Giambiagi*, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2021 | 04h00

Anos atrás, escrevi um texto com Felipe Vilhena sobre a ideia de utilizar a expertise do Tesouro para desenvolver um instrumento previdenciário. Depois, aquela proposta teve desdobramentos em nova coautoria, com Fabio Coelho. Agora, volto à carga com outro desenho no texto para discussão da FGV/Ibre, Tesouro Direto Previdência: Uma proposta de SeLFIES brasileiro para auxiliar o planejamento da aposentadoria, em coautoria com M. Leister, A. Nese e A. Dovalski. A sigla faz menção à expressão Standard of Living Indexed, Forward-starting, Income-only Securities.

A ideia é aproveitar a reputação do Tesouro Direto para que o Tesouro emita um título com um horizonte de até 40 anos, após o que esse capital se transformaria num fluxo de recebimento de amortizações mensais por um período de 20 anos. Para a decisão acerca de como proceder à acumulação do SeLFIES brasileiro, a pessoa teria basicamente que responder a duas questões: a) quanto almeja receber de aposentadoria; e b) quando pretende se aposentar. 

O instrumento teria de ser oferecido numa plataforma específica, Tesouro Direto Previdência, na qual cada participante disporia de um conjunto de informações e de alguns simuladores financeiros amigáveis.

A combinação do “combo” de instrumento financeiro e simuladores poderia desenvolver uma pedagogia de tal modo que, mês a mês, a pessoa pudesse perceber o resultado do seu esforço. Um mês, ela veria no seu celular ou notebook que, com o que ela acumulou, por exemplo, teria direito à uma renda complementar de R$ 375 e, um ano depois, após mais 12 contribuições, visualizaria que essa renda futura já teria aumentado para, digamos, R$ 537. 

O texto traz o resultado de algumas simulações. Uma das tabelas, extraída com base no site www.longevitapre-

videncia.com, mostra que, assumindo um juro real anual de 3%, uma aspiração à uma renda mensal de R$ 1.000 por 20 anos requer acumular até a aposentadoria um capital de R$ 197 mil e que isso pode ser conseguido com depósitos mensais de R$ 264 durante 40 anos. Já se a pessoa tiver acordado para o tema só aos 55 anos e quiser se aposentar aos 65 com um adicional de R$ 10 mil por mês, ao se aposentar terá de ter um capital de quase R$ 2 milhões e a contribuição mensal a ser feita por 10 anos terá de alcançar R$ 14.820. 

O Tesouro Direto só virou realidade porque anos antes a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) começou a estudar a questão. Vale a pena insistir. O cidadão merece ter essa alternativa no seu “cardápio” de opções. 

*ECONOMISTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.