Cidade tem concorrência dentro e fora dos EUA

No mercado americano, Miami tem perdido espaço para Las Vegas; fora do país, concorre com países como Canadá e África do Sul

O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2015 | 17h59

O dólar a R$ 4 está dificultando o passatempo preferido dos brasileiros em Miami: encher as sacolas de compras em shoppings de desconto. Embora a cidade esteja tentando atrair brasileiros ao enfatizar seus aspectos culturais e naturais, a CVC - maior agência de turismo do País - está sentindo uma migração para outros destinos. No primeiro semestre, a queda no total de turistas do Brasil para Miami foi de 15%, na comparação com igual período do ano passado.

Segundo o diretor de produtos internacionais da CVC, Adriano Gomes, as companhias aéreas sentiram o baque da redução do interesse do brasileiro pelo destino e mexeram rapidamente nas tarifas para Miami. No caso da Azul, o valor das passagens em dólar, que era de US$ 800 no início do ano, hoje está em US$ 400. Ou seja: paga mais barato quem comprar agora do que quem se planejou desde o início do ano. O problema de Miami é que outros destinos também entraram na competição pelo turista brasileiro.

Embora seja possível comprar uma passagem para Miami hoje por R$ 1,6 mil, a própria CVC está vendendo pacotes para Las Vegas com voo a R$ 1,2 mil. Além de oferecer atrações mais baratas, bancadas pelos hotéis, Las Vegas também tem outra vantagem sobre a maior parte dos destinos americanos: o preço da hospedagem. “A diária é mais cara em Nova York e vai caindo de preço nos demais destinos: Miami é mais barato, Orlando ainda mais e Las Vegas é a mais em conta de todas.” 

Historicamente, os preços dos hotéis em Las Vegas são baratos porque a intenção da cidade é que as pessoas economizem na diária para deixar dinheiro nos cassinos. No entanto, quem não se interessa por jogo de azar pode fazer de Vegas um destino de férias barato. Ao contrário do que ocorreu com Miami, Vegas cresceu dentro da CVC este ano. “No primeiro semestre, a alta foi de 31%. Las Vegas já é o terceiro destino dos EUA, atrás de Miami e Nova York.”

Outros destinos que estão ameaçando a liderança de Miami na preferência dos brasileiros são aqueles cujas moedas também sofreram em relação ao dólar. “Nosso fluxo para o Canadá subiu 30% este ano, pois o dólar canadense hoje está 25% abaixo do valor do americano”, diz Gomes. 

O mesmo, segundo ele, ocorre com a África do Sul. O real, que hoje só vale US$ 0,25, ainda compra dois rands sul-africanos.

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