Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Cidade vê corte de empregos pela primeira vez desde 2009

Desaceleração da economia é sentida principalmente no comércio, que perdeu de janeiro a setembro 1.185 postos de trabalho formais

Luiz Guilherme Gerbelli , O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2015 | 03h00

A crise econômica enfrentada pelo País também abateu Governador Valadares. Entre janeiro e setembro, as empresas da cidade fecharam 2 mil postos de trabalho com carteira de trabalho assinada. É o primeiro resultado negativo desde 2009 e o mais intenso observado desde 2003, pelo menos.

Os principais efeitos da desaceleração econômica são observados no comércio. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que esse setor já destruiu 1.185 postos formais este ano. Como no cenário nacional, a alta do desemprego e o aumento da inflação tiraram o ímpeto de compra das famílias locais. “O Brasil inteiro está em crise, não é só Governador Valadares. O poder de compra de quem mora aqui diminuiu. Ou as pessoas estão pagando dívida ou por receio, gastando menos”, afirma Edmilson Soares dos Santos, secretário de Desenvolvimento de Governador Valadares.

Casas coloridas espalhadas pela cidade são marca do processo migratório

Nas contas do empresário Sérgio Márcio Queiroz, de 46 anos, dono de uma loja de acessórios para automóveis no centro da cidade, as vendas neste ano já caíram 70%. “As pessoas estão comprando menos e há um agravante adicional: a seca”, diz. Ele vende acessórios para para-brisas de carros, como palhetas, e, portanto, o menor volume de chuva diminuiu a demanda pelo produto. 

Uma das expectativas da retomada da economia local está no possível aumento das remessas de dólares que podem começar por causa do aumento da emigração. 

Pelo menos nos últimos anos, o dinheiro enviado para Governador Valadares tem aumentado. Em 2014, foram registradas 30.666 transações, acima das 28.191 apuradas em 2013, segundo levantamento feito pela empresa Western Union. “A expectativa é que os números de 2015 mostrem um novo aumento”, diz o secretário. “O ciclo do dólar está voltando. Não acredito que deve ser na mesma proporção observada em outros anos, mas pode ajudar a aquecer a cidade.”

De fato, as remessas em dólar já desempenharam um papel importante na cidade. Elas ajudam a impulsionar o comércio e a construção civil. Muitos valadarenses constroem seus prédios ou abrem negócios próprios mesmo morando nos Estados Unidos.

Entre 2011 e 2014, a cidade recebeu US$ 91 milhões. A maior parte do dinheiro vem dos Estados Unidos (84%), seguido por Portugal (7%), um destino também procurado pelos moradores que buscam deixar o País. 

“Não se pode afirmar que houve uma dependência dos dólares. Mas ele sempre foi importante para a construção civil, sobretudo nos anos 80, quando ajudou a dar um boom”, afirma Sueli Siqueira, pesquisadora e professora da Universidade Vale do Rio Doce (Univale).

Marca da migração. As casas coloridas espalhadas por Governador Valadares se caracterizam como as principais marcas da migração na cidade. Normalmente, elas são construídas por quem morou nos Estados Unidos ou ainda vive por lá, e ficam mais visíveis na periferia.

Governador Valadares tem poucas características inspiradas nos EUA, apesar do fluxo migratório. Algumas residências dos primeiros habitantes americanos que participaram da ampliação da estrada de ferro de Vitória a Minas estão preservadas. São casas de madeira, construídas com base na arquitetura existente na região leste do território americano.

O período de presença americana, embora tenha deixado pouca contribuição arquitetônica, pode ser considerado de muito desenvolvimento para a cidade. O número de habitantes quadruplicou, o que tornou Valadares a cidade mais populosa da região.


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