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Renato Cruz
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Cidades conectadas

Chama atenção como ainda são poucos os governantes brasileiros que veem na tecnologia solução para grandes problemas em áreas como mobilidade urbana, saneamento, segurança e saúde. O que costuma predominar é a visão ludita de que a máquina é o problema.

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2015 | 03h01

Mas nada mais humano do que a tecnologia. Somos dependentes a ponto de não conseguirmos viver sem ela. Os carros são um problema numa cidade como São Paulo porque são obsoletos. Assim como o transporte público e, principalmente, os sistemas de controle de trânsito. Precisamos de mais tecnologia, e não menos.

As cidades geram muita informação, com câmeras, sensores, registros de serviços públicos e tudo o que cada um de nós publica nas redes sociais. O smartphone permite registrar problemas da cidade, com fotos, vídeos e localização geográfica, e estabelecer um canal de comunicação direta com o poder público. Mas ainda é pouco utilizado dessa forma por aqui.

A Ericsson apresentou, no evento Futurecom, na semana passada, um sistema de ônibus inteligente desenvolvido em parceria com a Volvo e fornecido à Rede Metropolitana de Transportes Coletivos de Goiânia. Ele permite gerenciar em tempo real 6 mil pontos e uma frota de 1,3 mil veículos. Para a operadora do serviço, é possível distribuir os ônibus de forma mais eficiente, reduzindo desperdício e emissões de poluentes. Os passageiros conseguem ter informações em tempo real sobre chegadas e localização de veículos pela internet.

A PromonLogicalis demonstrou, no mesmo evento, um bueiro inteligente, desenvolvido pela startup brasileira Net Sensors, que avisa quando está cheio e precisa de limpeza. Segundo Lucas Pinz, gerente da empresa, existem 600 mil bueiros em São Paulo, e a Prefeitura gasta R$ 40 para limpar cada um deles. Todo mês, 80 mil são limpos, e cerca de 60% não precisariam de limpeza. Numa parceria com a concessionária Ótima, a PromonLogicalis ampliou o piloto de pontos de ônibus conectados em São Paulo, passando de 6 para 40 pontos. Além de informações sobre chegada dos veículos, os pontos oferecem Wi-Fi grátis.

No Rio de Janeiro, a prefeitura tem, desde o ano passado, um aplicativo chamado Olhos da Cidade, para que o cidadão possa relatar problemas. As informações são enviadas a um centro de operações que monitora a cidade 24 horas por dia.

Shinya Kukita, diretor internacional de vendas e operações da NEC Corporation, considera que o maior desafio das cidades inteligentes é desenhar um modelo de negócios sustentável para seus projetos. As administrações públicas costumam ter mais facilidade de encontrar recursos para lançá-los do que para mantê-los em operação.

Avaliação. As operadoras estão preocupadas com o impacto dos aplicativos em seus negócios. Ricardo Distler, sócio da Accenture, compilou dados que mostram como a briga é desigual até do ponto de vista da capitalização. Ele comparou o valor de mercado de cinco gigantes de internet – Google, Amazon, Facebook, Alibaba e Netflix – a cinco grandes operadoras – AT&T, Verizon, América Móvil, Telefónica e Telecom Italia. Somadas, as empresas de internet valem US$ 1,25 trilhão e as teles US$ 500 bilhões.

Investimento. Luis Minoru, diretor de estratégia da TIM Brasil, quer aproximar a operadora do ambiente das startups, para que atue até como investidora. A ideia é apoiar a inovação que acontece fora da empresa para tirar um resultado melhor do avanço dos serviços via internet.

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