Cidades do interior do País atraem investimento

Disponibilidade de grandes áreas fora do eixo Sudeste alimenta mercadode loteamento

Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 05h00

A força do agronegócio, a descentralização industrial e a melhoria da malha rodoviária têm feito, nos últimos anos, com que cidades de grande e médio portes pelo interior do Brasil se tornassem alvos de investimentos imobiliários, mesmo diante do atual quadro de recessão econômica nacional.

Participantes do Summit Imobiliário Brasil 2016 apontaram que a disponibilidade de grandes áreas fora do eixo Sudeste e o desenvolvimento do Centro-Oeste e do Nordeste alimentam o mercado de loteamento brasileiro. “O impacto da crise ocorre de forma diferenciada no País. Tivemos grandes lançamentos no Ceará e até em Tocantins, mesmo com a economia tendo indicadores de recessão”, disse o diretor-presidente da Alphaville Urbanismo, Marcelo Willer.

Segundo o presidente do Secovi-SP, Flávio Amary, um estudo feito pela entidade mostrou que o mercado imobiliário no interior é menos volátil do que nas grandes capitais e tem sofrido menos com a retração econômica. “Embora mais limitados por conta do número de habitantes, são mercados que, neste momento que estamos passando agora, pela força do agronegócio, pela questão do câmbio e do preço das commodities, passam um pouco distante dessa crise”, concordou o presidente da BrDU Urbanismo, João Victor Araújo.

Sediada em Goiânia, a BrDU atua com loteamento de condomínios fechados em oito Estados, aportando investimentos em cidades de médio porte que surgiram após a década de 1970, como Rondonópolis e Tangará da Serra, no Mato Grosso, com a construção de grandes eixos rodoviários, como a BR-163 (Cuiabá-Santarém).

“Em Tangará da Serra, lançamos um empreendimento em maio de 2015, com 1.319 lotes divididos em três etapas. Em dois dias de lançamento, já havíamos vendido 511”, destaca Araújo. “A maioria das cidades que são polo da agricultura no Mato Grosso viraram hub de outros municípios.”

Experiência. O presidente da Alphaville Urbanismo destaca que uma vantagem dos novos loteamentos desenvolvidos pelo interior do País é a experiência com empreendimentos executados no passado nas grandes metrópoles, como o Alphaville de Barueri, iniciado em 1974. “Ele foi pensado para ter 2 milhões de metros quadrados e acabou com 13 milhões. Mesmo sendo espaço com qualidade de vida, tem problemas de desenvolvimento urbano, criados por uma sucessão de projetos interligados um ao outro. O bairro não foi planejado para ser uma verdadeira cidade”, disse.

Após repensar o modelo e promover sucessivas atualizações no desenvolvimento de projetos em Campinas, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba, Willer acredita que o Alpha Ceará, na Grande Fortaleza, consegue reunir o conceito mais moderno de loteamento urbano, sem criar uma “ilha de excelência cercada por uma região sem infraestrutura”.

A área de 18 milhões de metros quadrados, com quase 3 mil lotes residenciais e comerciais, está “encaixada” na malha urbana da região, e tem um plano viário integrado à infraestrutura do entorno, além de mercado, hospital, universidade, lojas voltadas para rua e até um aeroporto privado. “Existem várias cidades fora do eixo Sudeste que comportam grandes projetos. É interessante criar um endereço mesmo que seja mais difícil e levar desenvolvimento e infraestrutura para toda a região”, disse Willer.

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