MARCOS VIDAL/FUTURA PRESS
MARCOS VIDAL/FUTURA PRESS

Cidades permanecem sob impacto da greve dos caminhoneiros

No Rio de Janeiro, não houve expediente em tribunais; em Brasília, atendimento em serviços públicos de saúde está restrito a procedimentos de emergência; saiba como está a situação em diferentes estados

O Estado de S.Paulo

28 Maio 2018 | 10h50
Atualizado 29 Maio 2018 | 00h06

Apesar das medidas anunciadas pelo presidente Michel Temer na noite deste domingo, 27, que atendem às demandas dos caminhoneiros em greve, a paralisação permanece, impactando diversas cidades no País nesta segunda-feira, 28.

Saiba como está a situação em diferentes estados. 

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SÃO PAULO 

Além da capital, outras 31 cidades do Estado de São Paulo já decretaram estado de emergência em decorrência do desabastecimento causado pela greve dos caminhoneiros. As prefeituras de São Lourenço da Serra e Boituva declararam também estado de calamidade pública.

Com algumas rodovias ainda controladas por caminhoneiros, as principais cidades do interior só estavam recebendo combustível com escolta e o abastecimento era racionado. Muitas prefeituras suspenderam as aulas e as cidades tinham clima de meio feriado. 

Em Presidente Venceslau, falta de combustíveis, não há gás de cozinha e as aulas foram suspensas, mas haverá reposição quando a situação se normalizar. "A maior preocupação é com a falta de gás", resumiu Guilherme Garcia Marques, do Departamento Jurídico da Prefeitura de Ilha Solteira, também no oeste do Estado. 

Na região noroeste, creches deixaram de atender crianças em Sagres e a prefeitura, agora, só funciona até às 11h. O estoque de óleo diesel da prefeitura de Birigui deve terminar na quarta-feira, 30. 

Em Sorocaba, desde a noite de domingo, a Polícia Militar fez a escolta de 12 caminhões tanques, mas os postos davam preferência para abastecer veículos de policiais, funcionários da saúde e de serviços essenciais. 

Em São José do Rio Preto, 100% dos ônibus estavam funcionando na manhã desta segunda, mas a frota será reduzida fora dos horários de pico. A Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) suspendeu as aulas nos campi de São Carlos, Araras, Sorocaba e Buri.

Em Jundiaí, a prefeitura decretou ponto facultativo para as repartições municipais nesta segunda. Os 35 postos de saúde e 111 escolas municipais foram fechados. Conforme decreto de emergência, só havia abastecimento para carros de quem trabalha nas áreas de saúde, segurança e outros serviços essenciais. 

No terminal de petróleo de Ribeirão Preto, cerca de 90 mil litros foram liberados para abastecer bases das polícias civil e militar. Mesmo assim, o aeroporto da cidade teve voos cancelados por falta de combustível. Em Rio Claro, as aulas na rede municipal ficarão suspensas até a volta à normalidade. A prefeitura terá apenas meio expediente. O decreto de emergência, em São Roque, autoriza a requisição administrativa de combustível e bens. Em Nova Odessa, o objetivo foi garantir a coleta de lixo e transporte de pacientes.

Ao contrário do que acontece na maioria das cidades do interior, em Bauru não há corrida para abastecimento nos postos de combustível. Há muitos anos a cidade é abastecida por trens que saem diretamente dos terminais da Refinaria de Paulínia (Replan), na região de Campinas. 

Também estão em situação de emergência as cidades de Americana, Artur Nogueira, Botucatu, Capela do Alto, Capivari, Cerquilho, Cosmópolis, Diadema, Guaratinguetá, Guarulhos, Itapevi, Itatiba, Itu, Limeira, Mogi das Cruzes, Monte Mor, Paraguaçu Paulista, Santa Barbára d'Oeste e Vinhedo.

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RIO DE JANEIRO

No Rio, por conta da dificuldade de deslocamento, as aulas foram suspensas nas principais universidades públicas (UFF, UFRJ, UERJ e UFRRJ), e em várias das privadas, como Estácio de Sá, Cândido Mendes, Veiga de Almeida, Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), entre outras. Nas escolas municipais e também em boa parte das particulares tampouco houve aulas.

Pela mesma razão, não houve expediente no Tribunal de Justiça do Estado e no Tribunal Regional do Trabalho. Os problemas de transporte levaram ainda os hospitais da rede pública e privada a adiarem as cirurgias eletivas - programadas com antecedência e consideradas não emergenciais.

Segundo a Secretaria de Segurança, a Central de Escoltas realizou, desde a quinta-feira, 24, 165 escoltas de caminhões de combustível. O objetivo era garantir o abastecimento de serviços de primeira necessidade, como Comlurb, Cedae, BRT, Petrobrás, empresas de ônibus, aeroportos, hospitais, segurança pública, entre outros.

A situação dos transportes era um pouco melhor do que na manhã da sexta-feira, 25, com 40% da frota em circulação na região metropolitana. Na Baixada Fluminense, o porcentual era mais baixo, 20%. O BRT operou com 125 veículos, o equivalente a 35% da frota. O metrô funcionou normalmente. Ainda assim, em vários terminais centrais, o clima era de apreensão nas primeiras horas da manhã, por parte da população que tentava chegar ao trabalho.

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Na Central de Abastecimento de Alimentos do Rio (Ceasa), o movimento era bem pequeno para uma manhã de segunda-feira, quando pelo menos 500 veículos costumam chegar à central. Na manhã desta segunda, apenas veículos pequenos, provenientes de pequenos produtores de localidades próximas, chegaram à Ceasa.

A semana começou com filas quilométricas e muita confusão nos poucos postos que vendem combustíveis no Rio de Janeiro. A polícia cercou os postos para tentar organizar as filas, mas vários focos de conflito surgiram ao longo da manhã quando as pessoas tentavam furar filas. 

Estabelecimentos localizados em São Cristóvão, Barra e Irajá, nas zonas Norte e Oeste, registraram filas de mais de dois quilômetros. Centenas de pessoas esperaram até cinco horas na fila para conseguir abastecer carros, motos e todo tipo de vasilhames. 

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Os hospitais municipais e estaduais do Rio estão funcionando, sem que haja falta de oxigênio, alimentos nem insumos para atendimentos de emergência. Já a baixa nos estoques de sangue preocupa as unidades de saúde.

Graças a negociações com caminhoneiros, está garantida a saída de caminhões-tanque da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense, com escolta de militares, de modo a não comprometer as atividades de hospitais e clínicas do Rio. 

A Secretaria Municipal de Saúde da capital está com um plano de contingência de racionalização dos recursos disponíveis. "Os cilindros de gases medicinais estão abastecidos e garantidos pelos próximos dias, assim como os tanques de boa parte das ambulâncias e veículos de serviços essenciais", diz nota enviada nesta tarde. 

A prioridade nos hospitais é para os atendimentos de urgência e emergência. Os serviços que não são urgentes estão sendo adiados, para que os recursos disponíveis sejam economizados. Não há prejuízo para a alimentação dos pacientes, acompanhantes e profissionais, apenas adaptação dos cardápios, de acordo com a pasta.

Os estoques de medicamentos e insumos ainda aguentam os "próximos dias", informa a nota. O abastecimento de hemoderivados está comprometido, no entanto, porque a população não tem comparecido para doar na esteira da falta de ônibus na cidade. Entre os funcionários, a falta de alternativa de locomoção gera falta de 30%. 

A Secretaria de Estado de Saúde voltou atrás na decisão de domingo e manteve as cirurgias eletivas nos cinco hospitais de urgência e emergência da rede. Um plano de contingenciamento pode ser acionado.

A White Martins, que fornece gases medicinais, divulgou que "está empenhando todos seus esforços e vem conseguindo manter a entrega de gases medicinais aos seus clientes no Rio de Janeiro e em todo o Brasil". Os caminhões estão sinalizados com adesivos que informam que se trata de carga hospitalar. 

DISTRITO FEDERAL

Cinco decolagens foram canceladas nesta segunda-feira no Aeroporto de Brasília devido à falta de combustível, informou a concessionária do aeroporto, a Inframérica. Foram realizadas 155 operações entre pousos e decolagens. O aeroporto internacional de Brasília dispõe até o momento de combustível suficiente para atender a demanda até as 23 horas. A expectativa é de que um comboio com 10 carretas, vindo da cidade mineira de Betim, chegue ao aeroporto de Brasília ainda nesta segunda-feira. A última remessa de combustível ocorreu no domingo, com a chegada de 10 caminhões.

O atendimento em serviços públicos de saúde em Brasília está restrito a procedimentos de urgência e emergência. A medida teve início no fim de semana e deverá ser reavaliada numa reunião marcada para a tarde desta segunda-feira. Todos os postos de saúde estão fechados, consultas ambulatoriais, vacinação e outros procedimentos simples, além de cirurgias agendadas, terão de ser remarcadas.

Profissionais de saúde que atendiam nesses serviços foram realocados para hospitais, para reforçar o atendimento de emergência. De acordo com a Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal, há medicamentos e outros materiais suficientes para atendimento de pacientes. Ambulâncias também estão abastecidas e os veículos têm prioridade no abastecimento em postos conveniados.Dez pontos de retenção parcial de caminhoneiros foram registrados nesta manhã nas estradas que dão acesso ao DF, informou o gabinete de acompanhamento criado pelo Governo do Distrito Federal. De acordo com o grupo, vinte caminhões com 400 mil litros de combustível e gás de cozinha foram escoltados pela Polícia Militar.

MINAS GERAIS

Motoristas da Região Metropolitana de Belo Horizonte poderão colocar no máximo R$ 100 em combustível. O limite foi estabelecido em acordo fechado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Governo do Estado, Polícia Militar, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Minaspetro, o sindicato dos postos.

Ficou definido ainda que "por questões de logística e segurança, não será permitido o abastecimento em galões ou outros recipientes". A previsão é que caminhões-tanque comecem a chegar a postos da Região Metropolitana da capital ainda nesta segunda.

O sistema de transporte coletivo por ônibus na capital mineira segue com restrições, operando com redução de 50% no número de viagens fora do horário de pico. Conforme informou a prefeitura, o sistema vai funcionar normalmente no período de maior movimento. "Esta operação será possível porque as empresas de ônibus conseguiram repor parte do estoque de combustível", diz a prefeitura. 

Perto da entrada da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na Grande Belo Horizonte, caminhoneiros seguem em protesto. Não há, contudo, obstrução da via que dá acesso à planta. 

Em Paracatu, no noroeste do Estado, dois homens foram presos vendendo gasolina a R$ 15 o litro. Estocar combustível é considerado crime inafiançável. 

SANTA CATARINA

O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte de Florianópolis anunciou paralisação de ônibus a partir das 8h30 desta terça-feira, 29. A situção de transporte na capital catarinense é complicada, já que os postos estão desabastecidos. 

Na tarde desta segunda, o comando da Polícia Militar esteve na base de distribuição da Petrobrás, em Biguaçu, na Grande Florianópolis, para tentar a liberação de 30 caminhões de combustível. O comando chegou a informar aos manifestantes que uma liminar seria emitida pela Justiça, mas não conseguiu acordo e o bloqueio à base permanece.

PERNAMBUCO

A maior parte da rede privada de ensino da Região Metropolitana do Recife (RMR) e das cidades polos no interior mantém as portas fechadas nesta segunda-feira. Universidades e escolas de ensino fundamental e médio suspenderam as aulas até que a situação do abastecimento de combustível comece a ser normalizada.

Nas cidades de Olinda, São Lourenço da Mata e Jaboatão dos Guararapes, todas na RMR, também optaram pelo fechamento da rede municipal de ensino. No interior, as prefeituras de Caruaru, Petrolina e Serra Talhada também anunciaram a suspensão das aulas. As quatro principais universidades do Estado - Universidade Federal (UFPE) e Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade de Pernambuco (UPE) e Universidade Católica (Unicap) - suspenderam também as atividades administrativas.

Os hospitais ligados às instituições de ensino mantêm o funcionamento normal.

RIO GRANDE DO NORTE

O Hospital Universitário Dr. Onofre Lopes, um dos maiores do Rio Grande do Norte, administrado pela Ebserh, decidiu suspender todos os procedimentos eletivos a partir da próxima segunda-feira, 4 de junho. O estoque de produtos médico-hospitalares, segundo a instituição, será suficiente para manter a operacionalização da unidade hospitalar ao longo desta semana. Os agendamentos de consultas, exames e cirurgias serão descontinuados até que ocorra a regularização da entrega dos produtos e reabastecimento dos estoques. 

Motoristas de aplicativos e caminhoneiros fecharam a Ponte de Igapó, em Natal, um dos principais pontos de acesso da zona Norte aos bairros das zonas Leste, Oeste e Sul da capital potiguar. O trânsito está complicado no entorno na noite desta segunda.

O transporte público circula com 70% da frota e a Universidade Potiguar cancelou as atividades acadêmicas desta segunda-feira, 28, em decorrência da greve dos caminhoneiros. O evento de música sertaneja Villa Mix, marcado para ocorrer na próxima quarta-feira, 31, na Arena das Dunas em Natal, foi adiado para o mês de agosto. 

MATO GROSSO

Os caminhoneiros autônomos continuam parados ao longo das rodovias do Estado. Segundo a PRF, há paralisações em em cerca de 30 trechos. Em Cuiabá, são mantidos os dois pontos com interdições: no Distrito Industrial (km 398 na BR-364) e no km 504 da BR-070.

Os municípios que ainda registram mobilizações são Nova Mutum , Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop (km 821); e em Tangará da Serra. Na capital e em vários municípios aconteceram, durante a manhã desta segunda-feira, 28, manifestações de apoio aos caminhoneiros. Os órgãos estaduais e municipais não funcionaram hoje.

O Poder Judiciário, TCE/MT, MPE/MT suspenderam os expedientes. As universidades federal e estadual e as particulares, além de escolas municipais e estaduais, suspenderam as aulas. Em Cuiabá, hoje, 50% dos ônibus não circularam. E o prefeito decretou ponto facultativo nas repartições, escolas e creches. Caminhões-tanques escoltados por exército e PRF abastecem postos na capital e no interior, mas a maioria desse combustível foi reservada para os serviços emergenciais, viaturas e ambulânciais.

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