Ciência econômica da obesidade: um problema de peso

Ciência econômica da obesidade: um problema de peso

Pesquisa diz que homens obesos aos 18 anos ganham 16% menos do que seus pares de peso normal

Economist.com

08 de outubro de 2014 | 16h24


Ser obeso é o mesmo que não ter um diploma de graduação. É esse o bizarro recado de um novo estudo que analisa o destino econômico de homens que se alistaram no serviço militar compulsório da Suécia nos anos 1980 e 1990. A pesquisa mostra que os homens com quadro de obesidade aos 18 anos ganham 16% menos do que seus pares de peso normal. Até aqueles com sobrepeso aos 18 anos - ou seja, cujo índice de massa corporal entre 25 e 30 - ganham salários significativamente mais baixos quando adultos.

À primeira vista, um cético poderia não se convencer com os resultados. Afinal, em muitos países os mais pobres tendem a ser os mais gordos. Um estudo revelou que os americanos que habitam os municípios com mais moradores pobres são aqueles que mais apresentam probabilidade de desenvolver um quadro de obesidade. Se essas pessoas vêm de um contexto de pobreza, seria de se esperar que ganhassem menos quando adultas.

Mas os autores conseguem desviar deste problema ao manter o foco em irmãos. Todas as pessoas incluídas na amostragem final - composta por 150 mil pessoas - tem pelo menos um irmão nessa amostragem. Isso permite que os economistas usem "efeitos fixos", uma técnica estatística que dá conta das características da família (como a pobreza). Também incluem importantes características da família como a renda dos pais. Todos esses truques estatísticos permitem que os economistas isolem o efeito da obesidade nos salários.

Como explicar a "multa da obesidade"? Eles calculam que a discriminação no mercado de trabalho não é tão importante. A saúde também importa pouco. Em vez disso, a ênfase deles está naquilo que os psicólogos chamam de "fatores não-cognitivos" - motivação, popularidade e coisas do tipo. A presença de fatores não-cognitivos bem desenvolvidos é associada ao sucesso no mercado de trabalho. Os autores argumentam que crianças obesas desenvolvem menos suas habilidades não-cognitivas - apresentam menor probabilidade de participarem de equipes esportivas, por exemplo, ou podem ser alvo da discriminação por parte dos professores.

E como os autores calcularam seu estranho factóide? Um ano adicional de escolaridade na Suécia representa um ganho de 6% no salário. Assim, a multa de 16% decorrente da obesidade corresponde a quase três anos de ensino - o equivalente a um diploma universitário de bacharelado.

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Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com

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