Cientista político acusa bancos argentinos de chantagem

O secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), o argentino Atílio Boron, disse hoje que os bancos de seu país fazem uma chantagem ao alegar que não teriam recursos para a eventual liberação dos depósitos. A Corte Suprema da Argentina decidiu que o chamado "corralito" (bloqueio dos depósitos) é inconstitucional. Na avaliação do cientista político, "os bancos têm recursos mais que suficientes para fazer frente à dívida, mas o que acontece é que não querem devolver porque debilitariam um pouco seu lucro". Na avaliação de Boron, que participa do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS), os bancos "têm os recursos, mas não estão dispostos a fazer frente a esta crise com seu próprio patrimônio". Boron observou que é difícil prever o que irá acontecer depois do possível feriado bancário desta segunda-feira, pois há muitas incógnitas, mas ressaltou que a resposta da população dependerá da ação do governo. "Creio que as pessoas vão pressionar muito fortemente para que os bancos devolvam o dinheiro", afirmou. "Tudo vai depender do que fará o governo, se irá atuar sensatamente e acompanhar as reivindicações das pessoas, forçando os bancos a devolver o dinheiro, podem ser evitados males maiores", declarou. "Mas se o governo apoiar os bancos contra as pessoas, creio que o mau humor e a agressividade social poderão ser muito grandes e a Argentina pode se ver envolvida em um episódio violento", analisou. Boron participou esta tarde, na capital gaúcha, do seminário "A rebelião da cidadania: removendo o entulho neoliberal", promovido pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco Sindical).

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