Ciesp confirma estabilidade do emprego na indústria

O nível de emprego da indústria paulista, apurado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), ficou estável (0,04%) em julho ante junho, com a criação de 903 vagas. Os números divulgados nesta quinta-feira confirmam os publicados na última terça-feira pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que também mostravam estabilidade no emprego da indústria paulista de transformação. No acumulado do ano até julho, o nível de emprego cresceu 2,81%, representando 58,823 mil vagas. A criação de vagas até julho de 2006 é pior do que a verificada no mesmo período de 2005 (2,97%) e de 2004 (4,58%). Em 2003, as vagas acumuladas até julho representaram uma variação positiva de apenas 0,34%, em relação ao total de 2002.A pesquisa do Ciesp mostra que a geração de postos de trabalho vem desacelerando desde maio de 2006, quando subiu 0,45%, após atingir o pico de 1,48% em abril. Em junho, a variação foi de 0,10%, sempre na comparação com o mês anterior.O levantamento aponta que, dos 21 setores pesquisados, 11 tiveram desempenho positivo, puxados pela indústria metalúrgica, que criou 999 vagas, seguida por Artigos de Couro e Viagens (754 postos) e Produtos Químicos (492 vagas). Na ponta negativa, nove setores demitiram, com destaque para Produtos Alimentares (-581 postos), Confecções a Artigos de Vestuário (-570 vagas) e Calçados (-556 postos). O setor de Material de Transporte permaneceu estável. Comportamento melhor O diretor do Departamento de Economia do Ciesp, Boris Tabacof, disse que a economia brasileira, de fato, parece ter neste ano um comportamento melhor do que o verificado em 2005. No entanto, a criação de vagas na indústria não responde na mesma proporção que o aumento da produção industrial. Isso ocorre, segundo ele, porque os empresários preferem elevar a produtividade do trabalho, com aumento de horas extras, de turnos e de treinamento aos funcionários antes de tomar a decisão de realizar investimentos para aumento da produção.Na verdade, avaliou, a indústria ainda não tem segurança para investir, mesmo com as variáveis do segundo semestre apontando para alguma melhora no mercado interno. De acordo com Tabacof, essa insegurança deve-se, sobretudo, aos juros altos e ao câmbio, que desfavorece as exportações e beneficia as importações.Segundo o diretor do Ciesp, há investimentos em andamento apenas nos setores de açúcar e álcool, celulose e metalurgia, que continuam exportando, apesar do câmbio. Em outras áreas, os investimentos são mínimos. Este texto foi atualizado às 14h02.

Agencia Estado,

10 de agosto de 2006 | 11h42

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