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Cigarro sobe para bancar isenções

Governo prorroga corte de IPI de carros, corta imposto para material de construção e zera Cofins de motos

Anne Warth, Cleide Silva, Ricardo Leopoldo, Célia Froufe e Renata Veríssimo, O Estadao de S.Paulo

31 de março de 2009 | 00h00

Os preços dos cigarros vão ficar entre 20% e 25% mais caros com o aumento dos impostos. A medida vai bancar parte dos incentivos às montadoras de automóveis, caminhões e motocicletas e também ao setor da construção civil, que, ao contrário, terão desoneração de impostos, assim como algumas empresas da Zona Franca de Manaus. Geografia da crise: as medidas pelo mundoEm evento na manhã de ontem em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que as desonerações devem gerar uma renúncia aos cofres do Tesouro de cerca de R$ 1,5 bilhão, valor que ele acredita será recuperado com a elevação dos tributos sobre cigarros, como IPI, PIS e Cofins, a partir de 1º de maio.A Receita tem números diferentes: diz que as desonerações representarão uma perda de R$ 1,68 bilhão em 2009, enquanto a elevação da carga tributária sobre cigarros reforçará a arrecadação em R$ 975 milhões. No entanto, considerando a renúncia fiscal de R$ 1,4 bilhão com a redução da alíquota do IPI sobre veículos novos no primeiro trimestre, o governo deixará de arrecadar este ano R$ 3,08 bilhões. De acordo com Mantega, os preços dos cigarros populares devem subir 20%, enquanto as marcas premium ficarão 25% mais caras. "É bom para a saúde daqueles que fumam, pois é melhor que sintam no bolso do que no pulmão. "É por meio dos recursos provenientes desse desestímulo ao cigarro que vamos arrecadar e pagar a conta das outras medidas que têm o objetivo de aquecer a economia e manter os empregos", disse o ministro a uma plateia de executivos do setor automobilístico, da construção civil e sindicalistas.O pacote anunciado ontem inclui a prorrogação, até 30 de junho, da redução do IPI para carros e caminhões, que venceria hoje. Adotada em meados de dezembro, a medida ajudou o setor a manter as vendas em níveis até um pouco superiores aos do primeiro trimestre de 2008.Para as motos, cujas vendas caíram 43% no primeiro bimestre, o governo anunciou a redução da alíquota da Cofins de 3% para zero. Também terão redução do IPI durante os próximos três meses 30 itens de materiais de construção. Os setores se comprometeram a não demitir trabalhadores.Segundo Mantega, a novidade na prorrogação da redução dos tributos para veículos e caminhões é um "um acordo de não demissão de trabalhadores". O presidente em exercício, José Alencar, disse que o desemprego é a maior preocupação do governo. "Não há nada mais triste do que um chefe de família que chega em casa e conta para a família que perdeu o emprego", afirmou."Como não há mais excesso de arrecadação, como no ano passado, temos de providenciar uma nova receita que não afete em nada o nível de atividade no País", disse Mantega.

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