Cigarros e remédios ajudam a elevar IPCA-15 a 0,59%

Índice, que é prévia da inflação oficial, veio acima de previsões em maio

Jacqueline Farid e Flávio Leonel, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

Os reajustes dos cigarros e dos remédios pressionaram a inflação em maio e elevaram o Índice de Preços ao Consumidor - 15 (IPCA-15) a 0,59%, ante 0,36% em abril. O resultado veio acima do esperado por analistas de mercado (0,46%), mas não trouxe preocupações. A expectativa é de perda de ritmo dos aumentos a partir de junho. O IPCA-15 é uma espécie de prévia do IPCA, também calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e referência para as metas de inflação. Os dois indicadores se diferenciam apenas no período de coleta. Em maio, os cigarros, com 18,42% e os remédios, com 3,21% contribuíram com 44% do IPCA-15, ou 0,26 ponto porcentual da taxa mensal. Outras pressões foram dadas por energia elétrica (1,85%) e empregados domésticos (1,35%). Esses itens aceleraram o aumento do grupo dos produtos não-alimentícios, que subiu 0,68% em maio, ante 0,41% em abril. Alimentos também tiveram alta de abril (0,2%) para maio (0,29%), principalmente por causa do leite pasteurizado (6,26%), tomate (6,69%), carnes (0,74%) e batata-inglesa (18,47%). Os técnicos do IBGE não comentam o IPCA-15. Segundo o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, a alta veio acima do esperado, mas não assustou, porque foi concentrada em poucos itens. "Notamos que 0,37 ponto porcentual de toda a taxa foi gerado por apenas quatro itens: cigarro, remédios, energia e leite pasteurizado."Segundo Campos Neto, outro ponto importante que confirma a análise de que as pressões sobre a inflação estão longe de um espalhamento é o índice de difusão, que representa o porcentual de preços de componentes em alta e atingiu 54,95% no IPCA-15 de maio, muito abaixo dos 62,76% do IPCA-15 de abril. "Foi o menor nível desde julho de 2007, quando o indicador de difusão foi de 54,4%." Em relatório, os economistas Pedro Paulo Silveira e André Perfeito, da Gradual Investimentos, consideram que "a inflação deve continuar comportada". Segundo eles, a alta do IPCA-15 não deverá se confirmar no IPCA fechado do mês - a ser divulgado em 10 de junho. O analista da Tendências Consultoria Gian Barbosa observou que o IPCA-15 de abril foi submetido a pressões "concentradas e sazonais" e, mesmo sem trazer grandes preocupações, levaram a uma revisão do IPCA fechado do mês, de 0,3% para 0,4%. Ainda assim, a taxa, se confirmada, será menor do que a de abril (0,48%).

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