Cinco bancos de poupança da Espanha são reprovados

Cinco bancos de poupança da Espanha não listados - conhecidos como "cajas" - não passaram no teste de estresse da União Europeia e terão de levantar mais capital. São as instituições Unnim, Diada, Espiga, Banca Cívica e Cajasur. Os principais bancos listados do país passaram no teste com bons resultados.

LIGIA SANCHEZ, Agencia Estado

23 de julho de 2010 | 14h28

O Banco (central) da Espanha afirmou que quatro das cajas vão precisar de uma injeção de capital de 1,835 bilhão de euros para atender as exigências mínimas de capital dos testes. Com exceção da Cajasur, que já foi leiloada pelo banco central, as outras tomarão recursos do fundo de reestruturação do banco central, conhecido como FROB.

Os testes cobriram 27 bancos de empréstimo da Espanha e mostraram que os cinco mais fracos teriam capital Tier-1 abaixo de 6% no caso de uma nova deterioração aguda nas condições econômica e de mercado de crédito. Os reguladores estabeleceram o capital Tier-1 mínimo de 6%. Bancos que ficaram abaixo desta proporção no cenário de estresse deverão levantar novo capital.

Os dois maiores bancos espanhóis, Banco Santander e Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA), mostraram que possuem forte capacidade de resistir a perdas maiores, mesmo no cenário mais adverso que os reguladores incluíram no teste. Ambos se beneficiam de forte geração de receita e têm níveis de capital robusto, que os permite cobrir o forte aumento de prejuízos com empréstimos no caso de uma recessão de duplo mergulho.

O resultado mostrou que nas condições mais adversas consideradas nos testes, o capital Tier-1 do Santander continuaria em 10%, o mesmo do final de 2009. O Tier-1 do BBVA cairia para 9,3%, ante 9,4% no final de 2009.

A saúde do segmento de "cajas" da Espanha tem sido uma preocupação consistente entre os investidores, desde que a bolha do mercado imobiliário local estourou e a economia caiu em recessão. Investidores consultados pelo Goldman Sachs antes da publicação do resultado esperavam que a Espanha precisaria levantar a maior quantia de novo capital entre os países europeus, como consequência dos testes de estresse.

As "cajas", que são detidas mutuamente e não são instituições listadas, tiveram problemas para levantar capital durante a crise porque a regulação inadequada do país impedia a emissão de ações com direito a voto. Mas a legislação recentemente aprovada permitirá que estes bancos possam ser listados e sair das mútuas se desejarem atrair capital privado.

Já os bancos listados levantaram capital durante os últimos dois anos, vendendo ativos, emitindo ações preferenciais, bônus conversíveis e participação para compensar o forte aumento da inadimplência nos seus empréstimos, especialmente em crédito concedido ao setor imobiliário. O Santander, sozinho, levantou - por meio de emissões e retenção de receita - 27 bilhões de euros desde o início da crise, de acordo com o chefe financeiro do banco, José Antonio Alvarez. As informações são da Dow Jones.

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