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Cinco capitais concentram 25% da renda

Ranking dos maiores PIBs municipais, com dados de 2009, mostra São Paulo com 12%, seguida por Rio, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte

DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h06

A riqueza continua mal distribuída no País. Em 2009, apenas cinco municípios concentravam 25% da geração de renda do Brasil: São Paulo (12%), Rio de Janeiro (5,4%), Brasília (4,1%), Curitiba (1,4%) e Belo Horizonte (1,4%). No levantamento anterior, essa mesma fatia do Produto Interno Bruto (PIB) nacional estava distribuída entre seis municípios.

No ranking dos dez maiores PIBs aparecem ainda Manaus, Porto Alegre, Salvador, Guarulhos e Fortaleza, segundo o estudo Produto Interno Bruto dos Municípios, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, a riqueza gerada por São Paulo está longe de ser equiparada à das demais regiões da lista.

"Não dá para comparar São Paulo com outro município, só com outros Estados", afirma Sheila Zani, gerente da pesquisa do PIB dos Municípios. "O município de São Paulo gera mais renda que o Estado do Rio de Janeiro inteiro. O Estado do Rio gera 10% do PIB, enquanto o município de São Paulo gera 12%."

Embora sempre na liderança do ranking de participação no PIB nacional, a fatia que cabe à capital paulista é volátil. Nos últimos anos, perdeu participação relativa graças ao crescimento da economia de outras cidades. Mas, na passagem de 2008 para 2009, São Paulo teve ligeira recuperação, passando de 11,8% para 12% no PIB nacional.

O município não foi afetado pela crise global porque as atividades mais influentes na economia paulista - o setor financeiro e as indústrias voltadas ao mercado interno - não perderam participação no PIB brasileiro.

Quando as capitais são excluídas do ranking, sete entre os nove municípios com maior participação no PIB também são paulistas: Guarulhos, Campinas, Osasco, São Bernardo do Campo, Barueri, Santos e São José dos Campos. "A gente vê nesses municípios uma integração muito grande entre indústria e serviços", diz a pesquisadora do IBGE.

Bola de neve. A concentração no Estado de São Paulo de municípios com alta participação no PIB nacional pode ser explicada pela infraestrutura já existente na região, o que incentiva mais investimentos. Mas a própria riqueza gerada é um fator de atração de novas indústrias e serviços, uma vez que cria forte demanda, na avaliação de Leonardo Carvalho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

"Você acaba gerando um padrão de consumo mais alto nesses locais. É um círculo virtuoso ou vicioso. A renda sobe, aumenta a demanda por serviços, e também a atratividade dessas regiões para outras firmas. Vira uma bola de neve", diz Carvalho.

Embora o PIB per capita brasileiro tenha sido de R$ 16.918 em 2009, o PIB per capita de mais da metade dos municípios brasileiros não chegou a 50% desse valor. Quando contabilizados apenas os municípios da Região Nordeste, a situação é ainda mais grave: 93% dos municípios tinham PIB per capita menor que R$ 8.395, a mediana do estudo. No Norte, esse porcentual foi de 60% dos municípios.

Por outro lado, o montante cai para 10% na Região Sul. O município sulista com menor PIB per capita foi Imbaú, no Paraná, com R$ 5.463. Esse valor foi maior que o PIB per capita de 75% dos municípios nordestinos.

O município maranhense de São Vicente Ferrer registrou o menor PIB per capita do País, de R$1.929,97. Com população de 20.463 habitantes, a cidade contabilizou perdas de cerca de 80% na produção de mandioca em 2009, a principal atividade econômica da região, por causa do excesso de chuvas naquele ano.

Já o município com maior PIB per capita foi novamente São Francisco do Conde, na Bahia, de R$ 360.815,83, graças à segunda maior refinaria do País. Porém, a população local era de apenas 31.699 pessoas. Entre as capitais, Vitória teve o maior PIB per capita (R$ 61.790,59), seguida por Brasília (R$ 50.438,46), São Paulo (R$ 35.271,93) e Rio (R$ 28.405,95).

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