Cinco capitais concentram 25% do PIB brasileiro, mostra IBGE

Em contraposição, pesquisa aponta que, em 2005, 1.371 municípios somavam apenas 1% da riqueza total do País

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

19 de dezembro de 2007 | 10h26

A concentração da riqueza em poucos municípios brasileiros é "muito grande", segundo mostra pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relativa a 2005 divulgada nesta quarta-feira, 19. Apenas cinco capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte, ordenadas do maior para o menor) representavam, juntas, 25% do Produto Interno Bruto (PIB)Brasileiro em 2005. Além disso, segundo a pesquisa, apenas 51 municípios tinham 50% do PIB naquele ano e abrigavam 30,5% da população nacional. Por outro lado, 1.371 municípios respondiam por somente 1% do PIB em 2005 e concentravam 3,5% dos brasileiros. Em 2002, a concentração era um pouco maior: 48 municípios eram responsáveis por metade da renda produzida no País, e 1.338 somavam 1% da riqueza total. A coordenadora do projeto PIB municipal do IBGE, Sheila Zani, disse que os resultados mostram que a economia do País é "altamente concentrada". Ela ilustrou a afirmação mostrando que o índice de Gini (medida de concentração internacional, que revela desconcentração menor quando o índice é mais próximo de zero), no caso do PIB por municípios, chega a 0,86, ou seja, é muito elevado. A concentração se repete em termos setoriais. Enquanto na agropecuária o índice de Gini é de 0,57, o mais desconcentrado entre os setores, mostrando que essa é a atividade que espalha riqueza por mais municípios, na indústria o Gini chega a 0,91 e, nos serviços, a 0,87. São Paulo A participação porcentual do município de São Paulo no total do PIB do País voltou a aumentar em 2005, após cair sucessivamente entre 2002 e 2004. A fatia da capital paulista no total da riqueza gerada no País subiu de 11,7% em 2004 para 12,3% em 2005, mas ainda foi inferior à apurada em 2002 (quando era de 12,8%). Entre as cinco capitais que lideram o ranking do PIB brasileiro, o maior aumento de participação, de 2004 para 2005, ocorreu em São Paulo. A principal queda de um ano para o outro ocorreu no Rio de Janeiro (5,8% para 5,5%). Entre todos os 5.564 municípios brasileiros, os maiores aumentos de participação no PIB do País ocorreram em Confins (MG), Centro Novo do Maranhão (MA), Catas Altas (MG), Campo do Tenente (PR) e Sátiro Dias (BA). Segundo a pesquisa do IBGE, o município de Confins passou da posição 2.450 para a 888, devido ao impacto no transporte aéreo, com a transferência da maior parte dos vôos do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, para o Aeroporto Internacional de Confins. PIB per capita Os municípios com os dez maiores PIB per capita do País em 2005 foram Cascalho Rico (MG), Araporã (MG), São Francisco do Conde (BA), Triunfo (RS), Porto Real (RJ), Fronteira (MG), Paulínia (SP), Ouroeste (SP), Alto Taquari (MT) e Santo Antônio do Leste (MT). A coordenadora do projeto PIB municipal do IBGE, Sheila Zani, disse que o cálculo do PIB per capita na pesquisa é feito com a renda gerada dividida pela população do município, e não com a renda apropriada. "É claro que um município que tem uma hidrelétrica e população pequena tem um PIB per capita altíssimo, não significa que a renda esteja sendo apropriada no município", disse. Segundo mostra a pesquisa, entre os maiores PIB per capita, em Cascalho Rico (PIB per capita de R$ 289.838), no Triângulo Mineiro, está a terceira maior hidrelétrica mineira. O município possui também uma unidade industrial do setor de derivados do leite e, além disso, tem baixa concentração populacional. Já Mirante(BA) tinha em 2005 o menor PIB per capita do País (R$ 1.204,07), e aproximadamente 62% da sua economia dependia da administração pública. A pesquisa mostra ainda que os 56 municípios com PIB per capita inferior a R$ 1.609,52, isto é, o 1% dos menores municípios em relação ao PIB per capita, estavam assim distribuídos entre os Estados de Maranhão (16 municípios), Piauí (14), na Bahia (12), no Pará (9), Ceará (4) e em Alagoas (1). Todas as capitais das regiões Sudeste e Sul apresentavam PIB per capita superior ao brasileiro em 2005 (R$ 11.658), enquanto no Nordeste nenhuma capital tinha PIB per capita maior que o nacional.  Indústria A pesquisa mostrou ainda que, em 2005, o município de São Paulo mantinha-se como o principal pólo industrial do Brasil, com participação relativa de 9,8% no valor da indústria nacional, apesar de ter perdido participação em relação a 2002 (10,7%). O Rio de Janeiro também permanecia como segundo colocado no ranking industrial (2,5%), mesmo tendo perdido participação relativa desde 2002, quando sua participação relativa era de 3,4%. A pesquisa Produto Interno Bruto dos Municípios Brasileiros 2005 traz resultados do PIB e do PIB per capita para os 5.564 municípios brasileiros, já de acordo com a nova base das Contas Nacionais do IBGE, iniciada em março deste ano. A pesquisa é divulgada pelo instituto desde o ano 2000.

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