André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

bolha

Paulo Bilyk: "Quem está comprado em 4 ou 5 ações corre risco grande de perder tudo"

Cinco frigoríficos já foram interditados

Auditorias realizadas após anúncio da operação Carne Fraca devem ser concluídas em duas semanas e número de interdições pode crescer

Lu Aiko Otta, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - O “pente-fino” que o Ministério da Agricultura está fazendo nos 21 frigoríficos alvos da operação Carne Fraca, da Polícia Federal, já resultou na interdição de cinco deles. O número pode crescer, já que as auditorias só deverão ser concluídas em duas semanas. Esse dado deverá constar de um balanço que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, pretende apresentar hoje.

Além das três plantas fechadas após a operação – duas da Peccin (no Paraná e em Santa Catarina) e uma da BRF em Mineiros (GO) –, os fiscais interditaram unidades da Souza Ramos e da Transmeat, no Paraná, onde foram detectados problemas na matéria-prima e no produto final. Os produtos dessas unidades da Souza Ramos, Transmeat e Peccin são objeto de recall anunciado pela Secretaria do Consumidor do Ministério da Justiça na sexta-feira. A unidade da BRF produz para o mercado externo.

Na frente das exportações, a prioridade do governo passou a ser o destravamento das exportações para Hong Kong, o segundo maior mercado para carnes e derivados do País, com compras de US$ 1,5 bilhão em 2016. O ministro confia que as vendas serão reabertas em breve.

Hong Kong é um entreposto comercial e muito de suas importações têm como destino a China. Como esta reabriu seu mercado no sábado, a avaliação é que Hong Kong fará o mesmo. Inclusive porque os empresários locais que operam as vendas para a China começarão a pressionar pela retomada das compras do produto brasileiro.

Amanhã, Maggi deverá reunir-se com o comissário europeu para Saúde e Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis. A União Europeia suspendeu as compras de carne e derivados apenas das 21 plantas sob investigação. As exportações dessas unidades estão suspensas por decisão do governo brasileiro.

Hoje, Maggi também se reúne com os 27 superintendentes do Ministério nos Estados. A operação mostrou que o esquema de corrupção para manter funcionando frigoríficos que não atendiam exigências sanitárias passava pelos superintendentes. Maggi quer saber de cada um se há disputas políticas que estejam prejudicando o funcionamento da fiscalização. Paraná e Goiás, onde o esquema investigado pela PF operava, ficarão sob intervenção. Pelo menos 19 superintendentes são indicações políticas. Decreto assinado pela ex-presidente Dilma Rousseff estabelece cronograma para que esses cargos passem a ser ocupados por fiscais de carreira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.