Wilson Pedrosa/Estadão
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Juros

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Cinco maiores bancos renegociaram R$ 130 bilhões dos R$ 200 bilhões de pedidos, diz Febraban

Segundo Isaac Sidney Ferreira, presidente da organização, crise levou a uma 'explosão' da demanda por crédito; ao contrário de Paulo Guedes, ele disse não há 'empoçamento' de liquidez

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 20h38

BRASÍLIA - Os cinco maiores bancos do PaísItaú, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Santander – renegociaram até o momento R$ 130 bilhões, de um total de R$ 200 bilhões de pedidos feitos durante a crise da pandemia do novo coronavírus. Em entrevista ao Estado, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney Ferreira, disse que a crise levou uma a uma “explosão” da demanda por crédito. Com a queda brusca da atividade, do consumo e do faturamento, as empresas, em geral, estão precisando de caixa e buscando também crédito novo. 

Segundo Isaac, ainda faltam analisar entre 500 mil e 700 mil de pedidos. Conforme mostrou o Estado, um levantamento divulgado na última segunda-feira, 6, pela Febraban mostrou que na crise, os cincos maiores bancos receberam 2 milhões de pedidos de renegociação, o equivalente a uma carteira de R$ 200 bilhões (saldos devedores dos pedidos). A Febraban, no entanto, não tinha informado quanto dos pedidos tinha sido aceito pelos bancos. 

Os números, diz Isaac, mudam “a todo momento”, desde que os bancos anunciaram, em meados de março, a medida em resposta aos sinais mais severos da crise no Brasil. A prorrogação das parcelas está sendo feita por dois ou três meses, a depender do banco. 

“Não está havendo “empoçamento” de liquidez,  mas demanda elevada por crédito”, explica Isaac, que assumiu a presidência da Febraban no final de março. “O que torna essa crise bem diferente da crise de 2008. Mas seguiremos trabalhando para prover liquidez e crédito”, avalia. No último sábado, 4, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que havia um quadro de “empoçamento”, que impedia o dinheiro chegar na “ponta” para quem precisa.

Nesse cenário de crise, os bancos estrangeiros cortaram as linhas para o País, estreitando ainda mais a liquidez no mercado bancário. Segundo ele, há grande cooperação, no momento, entre o Banco Central, governo e bancos para prover a liquidez necessária ao mercado. Ex-diretor do BC e também ex-procurador-geral do banco, Isaac diz que as empresas, sobretudo de grande porte, estão demandando volumes significativos de recursos. 

O Banco Central informou que os bancos relataram problemas operacionais nas primeiras semanas. “O que entendemos ser inerentes e naturais diante do volume de pedidos e do atual cenário que dificulta os contatos com os clientes, mas a dinâmica já está entrando na rotina das instituições”, diz o BC. Segundo o BC, as as renegociações são acompanhadas  por meio de informações gerenciais encaminhadas pelos bancos para a área de supervisão bancária. Com o Sistema de Informações de Crédito, o BC informou que será possível confrontar os dados gerenciais com os dados contábeis de todas as instituições financeiras.

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