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Cinco passos para investir nos filhos

Saiba como estabelecer o valor da mesada e quais aspectos das finanças conversar com seu filho

Fabio Gallo, O Estado de S. Paulo

06 de outubro de 2014 | 08h44

No sexto artigo da série "Como Investir", o investimento na verdade não é um produto financeiro, mas uma pessoa: seu filho. Na segunda-feira passada, 29, o portal Economia & Negócios do Estado iniciou uma série de artigos sobre como começar a investir. 

1º Passo: Discuta as finanças da família com seus filhos

Este primeiro passo é muito importante porque criar um ambiente de cumplicidade dentro da família é essencial para cumprir o planejamento financeiro. Somente dessa forma todos irão participar da elaboração dos objetivos e colaborar para atingi-los. Basta uma boa conversa sobre os objetivos e problemas. Seus filhos devem participar das decisões sobre orçamento da família. Assim eles podem entender como e porque as coisas acontecem na casa e se tornar mais responsáveis. Não há maneira certa de conversar com a família, mas seguem algumas dicas:

+ Diga antes qual será o assunto da conversa. 

+ Faça com que todos falem e exponham suas ideias. Todos devem apresentar suas propostas de gastos e fontes de economia. 

2º Passo: Eduque seus filhos para a poupança, não para o consumismo

1) Ganhos: Crianças e jovens devem ter noção exata de que ganhar dinheiro não é fácil e que muito esforço e trabalho são essenciais. Aqui é importante ensiná-los sobre o sentido ético da relação com o dinheiro e com a sociedade. 

Trate com o seu filho questões do dia a dia, como: o que fazer quando o caixa da padaria devolver troco maior do que o devido ou se a conta do restaurante vier com valores menores do que deveria? Brigar com o caixa que pagou a menos é fácil, mas nem sempre pensa-se em devolver o que foi pago a mais. Devemos criar o espírito de empreendedores em nossas crianças.

Guardar dinheiro para o futuro é outra ideia importante. Devemos transmitir o conceito de segurança, de que o dinheiro não conservado adequadamente faltará quando precisarmos. É interessante esclarecer o sentido de palavras como economia, disciplina e objetivos em longo prazo.

2) Como poupar: As instituições financeiras oferecem diversos serviços que podem ser utilizados pelos seus filhos. Uma opção é abrir uma poupança ou investir regularmente num fundo de investimento em nome da criança. Você pode até fazer como fundos de pensão das empresas: a cada real depositado por ela, você investe outro. É um grande incentivo à poupança e reduz o impulso por compras desnecessárias. 

3º Passo: Ensine seu filho a definir objetivos, criar um orçamento, registrar as despesas e comparar antes de comprar

Todos nós temos limitações financeiras definidas pelos nossos ganhos e isso sempre vai existir. A pergunta natural é por que não colocar nossos filhos diante dessa mesma realidade. A mesada é uma forma adequada de educá-los para o futuro no sentido que ensina eles a viverem com seus próprios recursos.

Embora seja um instrumento muito útil, a mesada não é essencial e depende de orçamento da família. Mas tenha em mente que esse recurso evita os pedidos de dinheiro diários e, se fizermos a conta, vai perceber que fica mais barato. A definição do valor da mesada deve levar em conta diversos fatores. O círculo de amizades de seus filhos é um deles. Ele não deve nem ser o “milionário” nem o “mendigo”. Procure se informar sobre os hábitos financeiros dos amigos dos seus filhos para que eles não se sintam deslocados no grupo.

Outro aspecto importante na definição da quantia são os gastos do seu filho com transporte, lanches, passeios e hobbies, que devem ser discutidos para que vocês cheguem a um acordo. Definida a mesada, os pais não devem dar dinheiro extra para os filhos, atitude que cria maus hábitos.

Premiação:

Nós não devemos remunerar trabalhos domésticos dos filhos. Estes devem ser feitos como contribuição à vida familiar. As crianças também não devem ser premiadas por bom desempenho na escola, pois precisam entender que esta é uma obrigação delas e que, quando se destacam, estão se preparando para um futuro melhor. 

Os filhos devem ser estimulados a buscar suas próprias fontes de renda. Nada que interfira nos estudos, mas pequenos trabalhos para a vizinhança, como lavar carros, cuidar de crianças e levar animais de estimação para passear.

4º Passo: Material educativo e informações

Use jornais, programas de televisão e outros materiais para educar seus filhos nas finanças da família. Muitas vezes esses programas são a deixa para iniciar uma conversa sobre dinheiro. A educação financeira, essencialmente, deve começar dentro de casa, e as escolas precisam reforçar essa formação. O primeiro passo da educação financeira, particularmente da criança, é conhecer as moedas e cédulas.

5º Passo: O que fazer com o dinheiro

Discuta com seus filhos as opções que eles têm quando ganham dinheiro. Gastar e doar são duas alternativas. 

1) Gastar

Sobre esse aspecto, principalmente as crianças devem entender a diferença entre “querer” e “precisar”. A pergunta importante na hora que a criança pede para comprar algo, quando está frente ao consumo é "você precisa ou quer isto?". A criança precisa entender que é agradável gastar com balas, chicletes e refrigerantes, mas que antes vêm pão, arroz e feijão - e isso também custa dinheiro. Passe o conceito de que quando o dinheiro não dá para tudo é preciso saber escolher.

2) Doar

Uma noção muito importante é a de que existem pessoas que não têm o suficiente e passam necessidades e que faz parte da nossa responsabilidade social ajudá-las, seja por meio de doações em dinheiro ou de atividades comunitárias.

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