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Cinco séries de TV que ajudam a pensar na carreira

A ficção pode inspirar a vida profissional, ou mostrar o perfil de líder que não queremos ter (nem ser)

VIVIANE ZANDONADI- ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

14 Maio 2015 | 20h09

Queridinhas da cultura pop, as séries de TV vão além doentretenimento na medida em que provocam reflexões e interferem direta ouindiretamente na dinâmica das relações do público, no dia a dia. Elas tratam dedilemas éticos, mudanças e recomeços, decisões tomadas em casa e no trabalho –e no esforço para estar realmente presente nesses dois lugares. Fidelidade,lealdade, insegurança. Enfim, coisas da vida. Imagine, por exemplo, uma cena emque a executiva é chamada na sala do chefe. Ele diz: “Vamos ter de demitirmuitas pessoas e preciso que você faça uma lista de indicados ainda hoje”. Perplexa,a mulher argumenta, mas é em vão. Os dois mandam embora uma porção deempregados e no fim do dia, quando a porta se fecha atrás do último, ela descobreque haverá mais um corte. “Você também está demitida, sinto muito”.

No sofá, depois da pós-graduação, de um dia exaustivo detrabalho ou na busca por um emprego, você se pergunta o que faria no lugar dela,do chefe, dos que foram dispensados. O que os levou até ali? Pode até ser quesinta um certo mal-estar. Normal. É que ao discutir os dramas pessoais eprofissionais, a ficção costuma trazer cases interessantes, inspiradores (oulonge disso) e muitas vezes incômodos. Faz pensar no que foi feito ou dito maiscedo para aquele colega, na máquina do café. A seguir, confira cinco exemplosde séries para ver (ou rever). 

Enlightened 

Por que ver?

A comédia sombria sobre as muitas formas possíveis de chegar ao fundo do poço (e tentar sair de lá) foi cancelada pela HBO na segunda temporada, porque seus números não eram bons. Ainda assim, a crítica de séries da revista The New Yorker, Emily Nussbaum, considera a produção transformadora, a melhor do ano em 2013. Depois de sofrer um colapso nervoso no trabalho, a protagonista vivida por Laura Dern se interna numa clínica de reabilitação e ao sair decide abraçar uma causa para dar sentido à vida. Na empresa, porém, o RH diz que seu emprego não existe mais e que não há lugar para ela. A moça insiste e consegue uma vaga em uma espécie de porão dos desajustados. É o tipo de programa ótimo que muita gente não viu.

House of Cards

Por que ver?

O drama político do Netflix fala de Frank Underwood, sua mulher Claire e os bastidores da corrida pela presidência dos Estados Unidos está em sua terceira temporada. Fazer política não é prerrogativa da Casa Branca. Fazer política no escritório também não é prerrogativa da Casa Branca. As intrigas, os acordos, a liderança capaz (ou frágil), os favores, os limites éticos e morais: até onde dá para ir? 

Mad Men 

Por que ver?

Experimente digitar no buscador os termos "mad men, lições, carreira". Don Draper, Peggy Olson, Joan Harris. Eles estarão lá em inúmeras listas e reportagens e palpites sobre os bastidores do marketing e da publicidade, o lugar da mulher, a solidão de um profissional brilhante, as consequências de dar um peso maior para a carreira e menor para a família. E etcétera. O premiadíssimo drama da HBO se aproxima do fim, na sétima temporada. Sorte de quem ainda não começou a ver. Assistir outra vez, porém, revela ótimas sacadas, daquelas que muitas vezes só enxergamos no segundo olhar. Vale ouvir e ver o que dizem e fazem (ou não dizem e não fazem) os funcionários da agência de publicidade mais comentada da televisão nos últimos tempos. 

The Office

Por que ver?

Comédia em formato de documentário, quase um reality, que coloca o espectador para observar os mais variados papéis interpretados por pessoas comuns, todos os dias, em um escritório comum - ou quase. Há o ambicioso, o mesquinho, o ingênuo, o dissimulado. Atire o primeiro controle remoto quem já viu Steve Carell no papel de Michael Scott, o gerente supostamente engraçadinho da versão americana, e não pensou: "Está aí um chefe que eu NÃO queria ter nem ser. Acho que eu faria melhor...". Tomara.

The Good Wife

Por que ver?

Sobram discussões sobre preconceito, privilégio, dilemas éticos nessa série que é muito mais do que um drama de tribunal. Depois que seu marido, um importante promotor de justiça, é preso por corrupção, Alicia Florrick volta a trabalhar como advogada. Ela tem mais de 40 anos, dois filhos adolescentes e foi traída. Está afastada do direito há quinze anos. Para ter uma ideia da extensão do desafio, em seu primeiro dia a sócia da firma: "Quando comecei, recebi um ótimo conselho: os homens podem ser preguiçosos. As mulheres, não. Acho que isso vale em dobro para você que não só está voltando ao trabalho muito tarde, como tem uma bagagem problemática". 

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