Cintra quer 10% do mercado brasileiro de cerveja

O grupo português Cintra quer uma fatia de 10% do mercado brasileiro de cervejas. A Cintra já tem uma fábrica no Brasil desde 1997, em Mogi Mirim, em São Paulo, e inaugura neste sábado a segunda unidade brasileira, em Piraí, no interior fluminense. Com isso, a sua participação no mercado nacional poderá passar dos atuais 1,5% para 3,5%, quando atingir a capacidade plena de produção, de 600 milhões de litros de cerveja por ano. O presidente do grupo, José de Souza Cintra, disse que o fato de ter de concorrer com os gigantes Ambev, com 70% do mercado, e a canadense Molson (que acaba de adquirir a Kaiser e terá 18% de participação), não o preocupa. "Ao contrário, justamente por ser um segmento com poucos concorrentes é que fica mais fácil competir", afirmou. A fábrica de Mogi Mirim trabalha 24 horas por dia, com capacidade de produção de 120 milhões de litros anuais. A estratégia do grupo é investir em duas novas fábricas no País, provavelmente no Nordeste e no Centro-Oeste. Na fase inicial, a Cintra praticou preços inferiores aos da concorrência, mas hoje mantém a mesma faixa de preços dos concorrentes. "Nós não tínhamos verba para a televisão e optamos manter preço baixo para o brasileiro degustar a nossa cerveja", observou o empresário português.Com a implantação da nova fábrica, o Brasil passa a responder por 55% do faturamento do grupo, estimado em R$ 530 milhões para este ano, e os investimentos no País totalizam R$ 200 milhões. Os empresários portugueses, segundo Cintra, vêem o Brasil como excelente oportunidade de investimento e devem continuar aplicando no País. "Aqui eu não me sinto um estrangeiro, como ocorre nos Estados Unidos ou na França", exemplificou. Além disso há o estímulo político por parte do governo português, que incentiva os empresários portugueses, explica Carlos Carreiras, diretor geral do grupo. Portugal é hoje o terceiro maior investidor estrangeiro no Brasil.A rentabilidade das operações favorece o Brasil. O grupo está fazendo investimentos em outra fábrica de cervejas em Portugal, onde o "break even" (equilíbrio financeiro) previsto é de quatro a cinco anos. O projeto de Piraí deve alcançar o equilíbrio financeiro em dois anos, em parte devido aos incentivos fiscais oferecidos pelo governo fluminense, que tem programa de diferimento (adiamento) do recolhimento do ICMS por até três anos. Os investimentos no Brasil estão feitos com recursos próprios e não intenção, a curto prazo, de fazer abertura de capital ou de busca de novos sócios. "A médio prazo, dependendo da evolução dos negócios, isso pode ser analisado. Mas primeiro pretendemos maturar os novos investimentos", observou Ângelo Correia, diretor do grupo.

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