Circuit City fecha e demite 30 mil

Segunda maior rede de lojas de eletrônicos dos Estados Unidos havia pedido concordata em novembro

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

A Circuit City, segunda maior rede de lojas de eletrônicos dos Estados Unidos em vendas, anunciou ontem que vai fechar as portas, depois de não conseguir chegar a um acordo com seus credores e financiadores e de não encontrar um comprador. A decisão da varejista vai deixar 30 mil pessoas sem emprego nos EUA e no Canadá. No total, 567 lojas nos Estados Unidos serão fechadas. Estima-se que a empresa tivesse cerca de US$ 3,4 bilhões em ativos. "Esse é o único caminho para a nossa companhia", afirmou, em comunicado, o presidente da Circuit City, James A. Marcum. "Estamos extremamente desapontados com esse desfecho." Alguns funcionários já receberam cartas de demissão, e as primeiras lojas começam a ser fechadas hoje.A Circuit City tomou diversas medidas para tentar evitar a falência. Por exemplo, a companhia demitiu centenas de vendedores experientes e os substituiu por trabalhadores mais jovens e com salários mais baixos, acreditando que as vendas não sofreriam prejuízo. Mas isso aconteceu, e as receitas - juntamente com os danos causados à reputação da Circuit City - nunca foram recuperadas. A companhia se viu incapaz de competir efetivamente com a concorrente direta Best Buy e com outras varejistas, como a Wal-Mart. Dois compradores - o bilionário mexicano Ricardo Salinas Pliego, que controla a rede de varejo Azteca, e a empresa de private equity Golden Gate Capital - cogitaram ficar com partes da companhia, como grupos de 350 ou 180 lojas. Mas a Circuit City não receberia o suficiente nessas negociações. A InterTAN Canadá, subsidiária indireta da Circuit City, afirmou que suas 765 lojas canadenses permanecerão abertas e não foram incluídas no processo de liquidação. Em novembro, a InterTAN pediu proteção de crédito à Suprema Corte de Justiça de Ontário e, desde então, vem procurando um comprador para suas operações. A Circuit City pediu concordata em novembro passado, logo após informar que fecharia 21% de suas lojas nos EUA para economizar recursos. Ontem, porém, venceu o prazo dado pela Justiça para a empresa encontrar um comprador. "É muito, muito triste", disse Alan L. Wurtzel, filho do fundador da empresa, Samuel S. Wurtzel, e presidente no período de 1972 a 1986, tornando-se depois integrante do conselho. "Me sinto mal pelas pessoas que trabalham aqui, ou até recentemente trabalhavam."Wurtzel já havia dito que a Circuit City não levava a concorrência da rival Best Buy suficientemente a sério, e, em alguns pontos, estava focada demais em lucrar no curto prazo, em vez de construir valor para o futuro. Para o analista Gary Balter, do Credit Suisse, o fechamento da empresa apenas vai consolidar a posição da Best Buy como líder de mercado. "Sem a Circuit e outras pequenas empresas, a Best Buy se distancia das outras." As ações da Best Buy subiram US$ 2,44 ontem, ou cerca de 9%, após o anúncio da Circuit City. Fecharam o dia cotadas a US$ 29,58 . Já os acionistas da Circuit City não devem esperar receber nada, como é típico em casos de falência.Redes varejistas norte-americanas têm encontrado dificuldades para lidar com a queda dos preços e a pressão sobre o crédito, que têm levado um grande número de empresas a fechar lojas, demitir empregados ou pedir concordata. Entre outras varejistas que anunciaram liquidação de ativos recentemente estão a Linens ?n Things, Bombay, Mervyn?s e Sharper Image.

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