Circunstâncias não recomendam acomodar choques, diz ata

A ata da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada hoje, traz pela primeira vez a discussão teórica sobre possíveis mudanças no foco da meta de inflação de 2004. Os diretores do BC salientam ao longo do item 25 que parte "considerável" do aumento da inflação no atacado, registrada nos últimos meses no País, pode ser explicada por choques de oferta, provocados por fatores como a mudança da alíquota e da forma de cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do aumento do preço internacional de algumas commodities e insumos intermediários. "Como se sabe, a teoria econômica e as melhores práticas de condução de política monetária recomendam a acomodação parcial de aumentos da inflação ao consumidor provocados por choques de oferta", explicam os diretores. "O Copom inclusive adotou esse procedimento no passado recente, anunciando ao longo de 2002 revisões do objetivo a perseguir naquele ano e estabelecendo, em seguida, metas ajustadas para a inflação de 2003 e 2004", lembram os diretores. Apesar de mostrarem que o assunto foi abordado durante a reunião, os integrantes do Comitê são cautelosos, e afirmam que as circunstâncias vigentes "neste instante" não recomendam a adoção deste tipo de procedimento. Na avaliação do Copom, ainda não há elementos que permitam inferir "com precisão satisfatória" qual será a magnitude do "impacto potencial" desses choques de oferta sobre os preços ao consumidor. Além disso, os diretores do BC argumentam que não existe um "procedimento automático" de acomodação parcial de choques de oferta. "Não há um procedimento automático cuja aplicação se adapte indistintamente a qualquer circunstância, podendo o grau ótimo de acomodação depender de fatores como o estágio do ciclo em que se encontra a economia, as condições díspares de demanda entre setores afetados diferentemente pelos choques, a distância entre a inflação corrente e a inflação desejável a médio e longo prazos, e a resposta direta das expectativas de inflação dos agentes privados ao próprio choque", justificam. Por tudo isso, os diretores do BC entendem que as circunstâncias vigentes no momento não recomendam a adoção de procedimentos destinados à acomodação dos choques de oferta recentes.

Agencia Estado,

25 Março 2004 | 11h56

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