Cisco: Carnevali era sócio da Mude

Empresa diz ter demitido ex-vice-presidente para a América Latina por desrespeito ao código de conduta

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

O vice-presidente mundial da Cisco Systems, Howard Charney, afirmou ontem, em entrevista por telefone, que a decisão de demitir Carlos Carnevali, ex-vice-presidente para a América Latina da empresa, foi motivada pelo desrespeito ao código de conduta da Cisco. "Temos uma investigação interna que ainda não está completa", disse o executivo. "Conseguimos informação suficiente para mostrar que talvez ele tenha uma participação na Mude." A Cisco anunciou em 22 de novembro o desligamento de Carnevali.Carnevali foi preso em outubro numa operação da Polícia Federal, em conjunto com a Receita e o Ministério Público, contra um esquema que teria causado prejuízo de R$ 1,5 bilhão em sonegação de impostos em cinco anos. Na quarta-feira, foram tomados os primeiros depoimentos sobre o caso.Segundo Charney, não é crime Carnevali ter participação acionária na Mude, mas isso contraria as regras da empresa, que impede seus funcionários de assumirem posições que possam causar conflito de interesses. O executivo preferiu não comentar se a investigação interna encontrou algum indício de crime cometido por Carnevali, o homem que trouxe a empresa para o Brasil em 1994, ou pela Mude, que era a maior distribuidora da empresa no País. "Este é um assunto que corre na Justiça", disse o vice-presidente mundial da Cisco.Ele disse que, todo ano, os funcionários da Cisco precisam assinar um documento, comprometendo-se a conduzir os negócios da maneira correta. "É difícil para nós saber quando alguém mente ao assinar esse documento", disse Charney. "Esse parece ter sido o caso do senhor Carnevali."O vice-presidente da Cisco não deu uma resposta direta ao ser perguntado se a empresa não pedia informações sobre a estrutura societária de seus distribuidores. "Existe um contrato entre as empresas e fazemos várias perguntas", disse Charney. As empresas precisam demonstrar sua situação financeira, e comprovar sua solvência. "De tempos em tempos, auditores independentes também fazem avaliações."A Ingram assumiu o lugar da Mude como o principal distribuidor da Cisco no País. "Estamos num longo processo para mudar e reconstruir nossa imagem", afirmou o vice-presidente da Cisco. Sobre a estratégia usada pela empresa para enfrentar a situação do ponto de vista jurídico, ele disse apenas que está "cooperando com as autoridades brasileiras". Ele preferiu não indicar quando a investigação interna da empresa vai terminar.Segundo o Ministério Público Federal, foram praticados pelo menos oito crimes no caso Cisco: formação de quadrilha, falsificação de documentos, uso de documento falso, corrupção ativa e passiva, contrabando, sonegação de impostos, ocultação de patrimônio e interposição fraudulenta de importações. Existe ainda uma suspeita de evasão de divisas.Em 22 de novembro, a Justiça Federal acatou as denúncias do Ministério Público. Dezesseis dos 40 presos pela Polícia Federal, incluindo Carnevali, tornaram-se réus nos processos de importação fraudulenta. Em sua sentença, o juiz Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, da 4ª Vara Federal Criminal de São Paulo, escreveu que "há indícios suficientes da autoria e materialidade" do delito. FRASESHoward CharneyVice-presidente mundial da Cisco Systems"Temos uma investigação interna que ainda não está completa""Conseguimos informação suficiente para mostrar que talvez ele tenha uma participação na Mude""Estamos num longo processo para mudar e reconstruir nossa imagem"

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