Cisco deve investir R$ 1 bilhão no Brasil

Presidente da empresa no País anunciará a instalação de um centro de inovação local

IRANY TEREZA / RIO, RENATO CRUZ / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2012 | 03h10

A Cisco do Brasil, fabricante de equipamentos de rede, vai investir R$ 1 bilhão na construção de um centro de inovação no Rio de Janeiro, segundo apurou o 'Estado'. O anúncio será feito na segunda-feira pelo presidente da empresa, Rodrigo Abreu, na abertura oficial do evento Cisco Plus Brazil, em cerimônia que deve contar com a presença do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e do governador do Estado, Sérgio Cabral.

A nova unidade da empresa vai desenvolver soluções de tecnologia voltadas especificamente às necessidades brasileiras. O investimento pesado será feito ao longo de quatro anos e, segundo fontes, pode ultrapassar o valor fixado, com outros empreendimentos, como expansão da produção e abertura de um fundo de venture capital para economia digital.

A inauguração do novo centro tecnológico está prevista para o segundo semestre deste ano. O projeto se baseará no aprimoramento de soluções para o desenvolvimento urbano. A ideia é que, a partir do ano que vem, agregue também projetos de energia inteligente. Procurada, a Cisco não confirmou a informação.

O Cisco Plus Brazil, que será realizado de segunda a quarta-feira, é o principal evento global para clientes e parceiros da Cisco, que acontece a cada dois anos no Brasil e, pela primeira vez, na cidade do Rio de Janeiro. O encontro tem por objetivo discutir o uso da tecnologia da informação e comunicação para a melhoria da produtividade das empresas públicas e privadas, com fóruns sobre setores como saúde, educação e operadoras de telecomunicações, além de programação técnica para profissionais de tecnologia da informação e telecomunicações.

Presença. Com um faturamento de US$ 43,2 bilhões em 2011, a Cisco é atualmente a maior fabricante de equipamentos para redes de telecomunicações do mundo, à frente da sueca Ericsson e da chinesa Huawei. Além das máquinas que integram as redes de comunicação de dados de operadoras e empresas, a Cisco atua em outras áreas, como roteadores Wi-Fi (com a marca Linksys) e conversores de TV por assinatura. No Brasil, a empresa tem fabricação terceirizada de conversores, também chamados de set-top boxes. Os equipamentos são produzidos pela Jabil, em Manaus.

A Cisco segue uma tendência recente de grandes multinacionais de instalar centros de inovação no País. O Rio de Janeiro tem atraído grande parte deles. Em 2010, a GE anunciou um centro na cidade. Também em 2010, a IBM decidiu instalar um centro no Brasil, dividido entre o Rio e São Paulo.

Existem vários fatores que fazem com que as empresas escolham o Rio de Janeiro. Um deles é a sede da Petrobrás, que acaba atraindo seus fornecedores. Outros são os grandes eventos. O Rio é uma das cidades da Copa de 2014 e sediará os Jogos Olímpicos de 2016.

Fundada em 1984 por um grupo de cientistas da Universidade de Stanford, no Vale do Silício, a Cisco chegou ao Brasil 10 anos depois. A empresa tem escritórios em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília. No mundo, a Cisco tinha mais de 60 mil funcionários no fim do ano passado.

Há duas semanas, a Cisco anunciou a compra da britânica NDS, empresa de software para set-top boxes, por US$ 5 bilhões. O software produzido pela NDS roda nos conversores adotados por companhias como DirecTV, British Sky Broadcasting e Canal Plus. O sistema vendido pela NDS impede que os canais sejam pirateados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.