Citi destaca estratégia para escolher aplicação

Talvez a dúvida que mais incomode os investidores, de uma forma geral, seja como alocar os seus recursos entre as diferentes alternativas disponíveis. Fundos DI, pré-fixados, renda variável, dólar? O que fazer? Quais os riscos? E quanto às crises? Qual a melhor estratégia de investimentos?Primeiro, é importante ressaltar que o investidor jamais poderá ter certeza de que, a priori, sua estratégia será a mais bem sucedida, já que o futuro é sempre incerto. Portanto, resta ao investidor sensato (ou em outras palavras, avesso ao risco), tentar minimizar a probabilidade de surpresas desagradáveis no futuro. Mas como identificar os riscos associados a cada estratégia de alocação de recursos? Acredito que o verdadeiro risco que paira sobre todo investidor seja o de não dispor de recursos suficientes para honrar com seus compromissos futuros. Note que este mesmo tipo de risco financeiro vale também para os grandes investidores institucionais, como por exemplo os fundos de pensão, que devem buscar ao máximo garantir os benefícios a seus participantes, tanto no presente quanto no futuro, ou as seguradoras, que devem gerir suas reservas de forma a garantir o pagamento de eventuais despesas relativas ao que foi segurado. Uma vez aceito o princípio de que qualquer estratégia de investimentos deve ser baseada no conceito de minimização do risco de descasamento entre o ativo e o passivo de cada investidor, que é basicamente sobre o que estamos escrevendo acima, o problema de como alocar recursos pode então ser dividido em duas etapas. A primeira deve consistir na definição das necessidades de desembolso no curto, médio e longo prazos. Ou seja, o investidor deve definir os seus horizontes de investimentos. É muito comum que um investidor em particular tenha vários horizontes de investimento, cada um associado a um tipo de necessidade de desembolso, como por exemplo no caso da prestação da casa no próximo mês ou da aposentadoria futura. É natural, portanto, que a cada necessidade de recursos, corresponda um tipo de investimento com diferentes características (DI, renda fixa pré-fixada, renda variável, dólar, etc.). O conjunto dos investimentos adequados a cada necessidade de desembolso formarão a estratégia de alocação de recursos do investidor. Mas como então relacionar estas necessidades às várias opções de produtos disponíveis no mercado? Passamos então à segunda etapa de nosso processo de alocação de recursos.Uma regra básica em investimentos é que, à medida que o horizonte de investimentos aumenta, ou seja, que a necessidade de desembolso esteja mais distante, maior é a volatilidade que o investidor pode suportar. Isto porque quanto mais distante está o compromisso financeiro, de mais tempo o investidor pode dispor para recuperar-se no caso de uma flutuação desfavorável a seu investimento. Mas por que alguém estaria disposto a correr mais riscos, ou alocar recursos em investimentos mais voláteis, como por exemplo, investimentos em ações? Espera-se que o investidor seja compensado pelo risco que está tomando através de um maior retorno potencial. Então, para horizontes de investimento de curto prazo, o tipo de investimento mais aconselhável seria o menos volátil, como os fundos DI. Já para o médio prazo, o investidor poderia dar-se ao luxo de suportar uma volatilidade um pouco maior, em troca de um maior potencial de retorno, como no caso dos fundos de renda fixa prefixada. Seguindo nesta mesma linha, para os horizontes de investimentos ainda mais longos, como no caso de recursos destinados à aposentadoria de um jovem investidor, o mercado acionário ou fundos de ações seriam adequados. Apesar de que conservadorismo em investimentos é sempre recomendável, muitas vezes os investidores deixam de maximizar o potencial de retorno de seus investimentos por causa de uma aversão injustificada à volatilidade. Apesar da paz de espírito no dia a dia associada aos investimentos de baixa volatilidade, como os fundos DI, não me parece aconselhável poupar através destes instrumentos para horizontes de investimentos de dez ou vinte anos. Isto nos leva ao nosso próximo ponto: disciplina.Apesar de todas as "dicas" dos gurus de plantão, as únicas diretrizes de que realmente dispomos para, de uma forma geral, guiar a alocação de nossos investimentos, são dadas pelas premissas já descritas acima de que é sensato minimizar a probabilidade de não podermos honrar os nossos compromissos financeiros e que, ao mesmo tempo, buscamos sempre um maior potencial de apreciação para nossos recursos. Dispomos de muito pouco poder de previsão, especialmente em relação ao comportamento do mercado acionário no curto prazo. Isto posto, talvez o melhor conselho que possa ser dado a um investidor é o de que examine profundamente suas necessidades de desembolso ao longo do tempo e a volatilidade com a qual ele se sinta confortável. Em minha opinião, a pior estratégia para um investidor é aquela onde ele não se mantém fiel a seus objetivos, previamente analisados com muito cuidado. Realocar investimentos destinados ao longo prazo em tempos de crise ou de maior volatilidade pode ser extremamente prejudicial aos seus objetivos. Muitas vezes, após perdas, o investidor pode deixar escapar a oportunidade de recuperar-se. Para o investidor mais agressivo, as crises muitas vezes podem ser vistas como oportunidades de investimento. Quanto a investimentos em dólares, ou fundos cambiais, dado o pouco poder de previsão que temos sobre o comportamento da taxa de câmbio de uma forma geral - para aqueles que não acreditarem nesta afirmação, basta buscar os jornais do início deste ano e coletar as previsões para a trajetória da taxa de câmbio feitas pelos especialistas no assunto -, dentro da premissa de que é sensato buscar minimizar a probabilidade de não poder honrar os seus compromissos financeiros, talvez o melhor conselho seja o de direcionar para investimentos deste tipo somente aqueles recursos destinados a cobrir despesas na moeda estrangeira, como por exemplo no caso de viagens ao exterior. Muito importante também é não acreditar em sugestões para a alocação de seus recursos tiradas da cartola, do tipo 30% em fundos DI, 40% em fundos cambiais e 30% em fundos de renda variável, sendo que suas necessidades de desembolso futuro não tenham sido sequer consideradas na análise. A verdadeira estratégia de alocação de recursos entre as várias alternativas disponíveis no mercado deve levar em consideração as características e necessidades de cada um. Caso contrário, qualquer análise não passa de pura adivinhação.

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