Citi deve vender mais ativos após acordo com Morgan Stanley

Grupo quer levantar capital e isolar ativos tóxicos; Morgan vai pagar US$ 2,7 bi por participação na Smith Barney

Dan Wilchins e Joseph A. Giannone, da Reuters,

14 de janeiro de 2009 | 09h26

O Citigroup aceitou fundir sua corretora Smith Barney com a unidade de gestão de fortunas do Morgan Stanley e deve fazer mais vendas de ativos para levantar capital e isolar ativos tóxicos do restante do banco.  Veja também:Citigroup e Morgan Stanley anunciam fusão de corretorasDe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise   O Citigroup, que já foi o maior banco do mundo, pode anunciar planos em 22 de janeiro para formalmente eliminar o conceito de "supermercado financeiro" que já foi capitaneado pelo ex-presidente-executivo Sanford "Sandy" Weill, mas que agora não é apoiado pelo atual presidente Vikram Pandit. No mesmo dia, o banco deve divulgar um grande prejuízo relativo ao quarto trimestre.  O banco está planejando adotar o equivalente a uma estrutura de "banco bom, banco ruim", na qual vai se reduzir a um modelo de negócios que lembrará o antigo Citicorp, informou uma fonte com conhecimento dos planos.  A estratégia visa focar em operações para empresas, investimento e de banco de varejo e manterá uma área menor para trading, enquanto transfere ativos e negócios indesejados como dívidas complexas para uma estrutura separada, informou a fonte pedindo para não ser identificada.  O lado "ruim" do Citigroup terá cerca de US$ 600 bilhões em ativos, quase um terço do balanço da instituição, e pode ser eventualmente vendido ou separado do restante do grupo, disse a fonte.  Ativos que podem ser vendidos incluem a unidade Primerica, que vende seguro de vida, fundos mútuos e outros produtos financeiros. O Citigroup não comentou seus planos de longo prazo.  O chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, afirmou em discurso em Londres na terça-feira que o governo norte-americano pode considerar comprar ativos com problemas, fornecendo garantias, definindo ou criando instituições para compra de ativos de bancos em troca por dinheiro e ações.  O Citigroup recebeu US$ 25 bilhões do governo norte-americano em outubro e mais US$ 20 bilhões em capital em novembro, como parte do pacote de resgate.  A joint venture com o Morgan Stanley vai criar a maior corretora dos Estados Unidos, a Morgan Stanley Smith Barney, com mais de 20 mil corretores e US$ 1,7 trilhão em ativos de clientes. O número de corretores vai superar o do Bank of America, que comprou o antigo primeiro lugar do ranking, a Merrill Lynch.  O Morgan Stanley vai pagar ao Citigroup US$ 2,7 bilhões em dinheiro por uma participação inicial de 51% na parceria que pode crescer para 100% depois de cinco anos. Weil criou o Citigroup em 1998 quando o seu Travelers Group comprou o Citicorp, esperando criar uma instituição única para atendimento de consumidores e empresas. Mas ele nunca investiu o bastante em infraestrutura e na tecnologia para fazer o império, que opera atualmente em mais de 100 países, funcionar bem.  "O modelo do Citigroup era 'vamos ficar maiores e isso vai nos tornar melhores'", disse Robert Millen, da Jensen Investment Management. "Não funcionou dessa maneira."  Depois que Weill escolheu Charles Prince como seu sucessor, o banco ingressou profundamente em operações com hipotecas e outras dívidas complexas, deixando a instituição exposta à enormes perdas com crédito e baixas contábeis com o início da crise financeira internacional.  Hoje o terceiro maior banco dos EUA em ativios, depois do Bank of America e do JPMorgan Chase, o Citigroup perdeu US$ 20,3 bilhões no ano encerrado em 30 de setembro e deve registrar prejuízo de vários bilhões de dólares no quarto trimestre.

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