Citi nas mãos dos emergentes

Brasil é peça-chave na recuperação do banco, diz Pandit

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

Os mercados emergentes serão o grande motor do Citigroup que está emergindo da crise financeira global. Em sua segunda visita ao Brasil em sete meses, o indiano Vikram Pandit, presidente mundial do Citi, reafirmou ontem a expectativa de que os países em desenvolvimento liderem a recuperação do banco. "Nosso foco está na globalização e nos mercados emergentes e o Brasil é peça-chave nessa estratégia", diz Pandit. A reestruturação do grupo prevê que três quartos dos negócios venham das operações em países emergentes.Desde a última visita ao País, em novembro, o executivo enfrentou alguns desafios. No início do ano, a instituição foi salva da falência pelo governo norte-americano, que passou a ser seu maior acionista. A crise do banco também fez Pandit assumir o compromisso de receber salário anual de US$ 1 até que o Citi recupere a lucratividade.Mas, segundo ele, há sinais de mudanças no horizonte. No primeiro trimestre, a instituição teve o primeiro resultado positivo depois de 18 meses. "As coisas estão se estabilizando, a produção deve subir. Existem boas notícias."Muitas delas vêm do Brasil, acredita ele. "Vejo as pessoas mais otimistas aqui; há uma sensação diferente", diz o presidente, que veio ao País para conversar com clientes e funcionários da filial brasileira, uma das mais lucrativas do grupo. Pandit está especialmente esperançoso com a perspectivas de expansão do consumo no Brasil. Segundo ele, o banco deve se beneficiar do aumento da demanda das pessoas e, principalmente, das empresas, por crédito."As companhias brasileiras estão cada vez mais internacionais e vão precisar de mais parceiros para suas atividades de produção, importação e exportação. Queremos ser esses parceiros."No varejo, um dos objetivos é crescer na área de empréstimos pessoais e cartão de crédito. Há dois meses, a financeira do banco, antes Citi Financial, passou a operar com a bandeira Credicard - a administradora de cartões de crédito foi gerida pelo Citi por 30 anos e tornou-se marca exclusiva do grupo este ano. Com a nova estratégia, a instituição espera ampliar a sua base de clientes no País. "O consumo vai continuar crescendo e a demanda por serviços financeiros, também", afirma o presidente do Citi no Brasil, Gustavo Marin. Para Pandit, a tendência é que os mercados emergentes se descolem cada vez mais das economias desenvolvidas. "Essa separação vai levar um tempo, mas vai acontecer." Ele destacou, porém, o compromisso do banco com os Estados Unidos. "O portfólio de hipotecas de cartão de crédito ainda é um desafio e estamos trabalhando nele."

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