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Citi pede falência da Agrenco, que tenta recuperação judicial

Em meio a acusações de fraude, empresa tenta proteção na Justiça para negociar controle

Mariana Barbosa e Lucia Kassai, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2008 | 00h00

Uma das maiores exportadoras de soja do País, a Agrenco deu entrada ontem em um pedido de recuperação judicial, enquanto enfrenta investigações de fraude, pressões de credores e tenta negociar a venda de seu controle para três grupos.Pelo menos dois bancos, o Citi e o Fibra, porém, estão entrando com pedidos de falência contra a empresa, por entenderem que a investigação criminal inviabiliza o pedido de recuperação judicial da empresa. A Agrenco precisa de US$ 100 milhões para capital de giro e acumula uma dívida de US$ 600 milhões com bancos.A Agrenco já apresentava problemas financeiros, mas a situação se agravou em junho, quando a Polícia Federal prendeu três dos principais executivos sob a acusação de desvio de recursos, simulação de operações de exportação de soja e maquiagem do balanço com o intuito de favorecer os controladores, em detrimento dos acionistas minoritários. Na época, foram presos Antonio Iafelice, então presidente, um dos maiores acionistas, Francisco Ramos, e Antonio Augusto Pires Junior, diretor de operações. Até há alguns meses, a Agrenco era tida como um caso de sucesso na Bovespa. A empresa saltou de um faturamento de US$ 300 milhões em 2004 para US$ 2 bilhões em 2007. Em sua Oferta Pública de Ações (IPO, na sigla em inglês), em outubro do ano passado, a companhia levantou R$ 666 milhões. Segundo o prospecto preliminar, 15% do total, ou R$ 98 milhões, foram para pagar dívidas com os bancos envolvidos na operação. Tradicionalmente, esse porcentual não costuma superar 8%.Com a operação da PF, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu investigação de conduta inapropriada e quebra das regras de governança corporativa. A instituição que coordenou o IPO, o Credit Suisse, assim como os auditores envolvidos, como a KPMG, também são investigados pela CVM. Desde sua estréia na Bolsa, em outubro de 2007, até hoje, os papéis da companhia acumulam perdas de 95,77%. Ontem, foram negociados por R$ 0,44. Após a prisão dos executivos, a Agrenco iniciou negociações com o grupo francês Louis Dreyfus Commodities. A empresa recebeu outras duas ofertas, da Noble, de Hong Kong, e da suíça Glencore. Os três grupos estavam em negociação com os bancos credores, representados pelo Banco Bradesco BBI e o Banco Santander. Em fato relevante enviado à CVM, a empresa afirma que a entrada em recuperação judicial foi uma exigência de eventuais investidores. "Qualquer novo aporte de recursos tem sido condicionado à apresentação de requerimento de recuperação judicial", afirmou no fato relevante o diretor de relações com investidores da Agrenco, Theodorus Zwijnenberg. A recuperação afeta apenas as subsidiárias da Agrenco no Brasil. O pedido será analisado pelo juiz Alexandre Lazzarini, da 1ª Vara de Falências e Recuperação de Empresas de São Paulo. Assessorada pelo escritório Felsberg e Associados, a empresa tem 60 dias para apresentar um plano de recuperação.

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