Citi vende controle do metrô do Rio por R$ 1 bilhão

OAS e fundos de pensão Previ, Petros e Funcef assumem a empresa, privatizada em 1997

Alberto Komatsu, RIO, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2008 | 00h00

O fundo de investimentos Invepar, integrado pela construtora OAS e pelos fundos de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), da Caixa Econômica Federal (Funcef) e da Petrobrás (Petros), anunciou ontem a aquisição do controle do Metrô Rio por quase R$ 1 bilhão. O negócio, que ainda terá de ser aprovado pelo governo do Rio de Janeiro, foi fechado com os controladores do Metrô: Citigroup Venture Capital (CVC), Investidores Institucionais Fundo de Investimento em Participações (IIFIP) e Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social (Valia).Por meio de fato relevante ao mercado, o Invepar informou que adquiriu 61.774.477 ações ordinárias (com direito a voto) emitidas pela Oeste Participações, a maior acionista do Metrô, por R$ 13,62 cada papel, totalizando R$ 841,4 milhões. Essa negociação equivale a 96,22% do capital social e votante detido pela Oeste. O Invepar pode comprar os demais 3,78% em poder de acionistas minoritários, como o banco Opportunity, de Daniel Dantas, nas mesmas condições da negociação com o bloco majoritário.O Invepar também adquiriu 15.781.817 de ações ordinárias emitidas pelo Metrô, o que equivale a 14,99% do capital social e votante de propriedade da Valia por R$ 9,78 cada papel, totalizando R$ 154,3 milhões. As duas negociações totalizam R$ 995,7 milhões."A presente operação se alinha aos planos de expansão da atual base de negócios do Invepar, que busca ampliar e diversificar sua presença no setor de infra-estrutura", informou o Invepar no comunicado. As ações serão transferidas para a Megapar, controlada integralmente pelo fundo.O Invepar já tinha outros negócios no setor de infra-estrutura. Ele é também o controlador da Linha Amarela S/A, concessionária de uma das principais vias expressas do Rio, e da Concessionária Litoral Norte S/A, na Bahia. No final de outubro, o fundo foi declarado vencedor da licitação do Corredor Raposo Tavares, constituído por três rodovias no interior do Estado de São Paulo.TRINTA ANOSO Metrô Rio foi inaugurado em março de 1979, entrando em funcionamento na época com cinco estações. Atualmente, conta com 34 estações divididas em duas linhas. A sua concessão à iniciativa privada, por 20 anos, foi realizada no dia 19 de dezembro de 1997 e vencida pelo consórcio Opportrans. Naquela época, o ágio da negociação foi de 921,22%, pois o valor mínimo do negócio era de R$ 28,5 milhões, mas o preço oferecido pelo Opportrans foi de R$ 291,6 milhões. O Opportrans era uma sociedade de 51% da Sorocaba Empreendimentos e Participações, cujo maior acionista é o Citigroup, mais 40% do grupo argentino Cometrans e 9% da Valia. Em 2005, o Opportrans mudou o nome para Concessão Metroviária do Rio de Janeiro S/A. Em 2007 , o Cometrans saiu da sociedade, que passou a ser controlada pela Sorocaba (85% do capital total) e Valia, com os 15% restantes.Os antigos controladores do Metrô anunciaram no início deste ano um investimento de R$ 1,15 bilhão na ampliação da rede. Seriam adquiridos 114 vagões para a ampliação da frota, que tinha 182 carros.Agora, a informação é que os planos não serão alterados com a negociação anunciada ontem. O objetivo informado na ocasião era o de aumentar o número de usuários de 550 mil para 1,1 milhão por dia. Os recursos também serão usados para a modernização do sistema. NÚMEROSR$ 995,7 milhõesé o valor pago pela OAS e fundos de pensão Previ, Funcef e Petros pelo controle do metrô do RioR$ 841,4 milhõesdesse total foram pagos à Oeste Participações, controlada pelo Citigroup Venture Capital (CVC), maior acionista do metrô cariocaR$ 154,3 milhõesforam pagos ao fundo de pensão Valia, dos funcionários da Vale3,78%das ações ainda estão com acionistas minoritários

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