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Citic Securities, da China, estuda investir no Brasil

Grupo analisa, em parceria com o BTG, pelo menos dez projetos no País, que podem envolver cerca da US$ 10 bilhões

MARIANA DURÃO / RIO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h06

Maior banco de investimento e corretora da China, com US$ 60 bilhões sob gestão, a Citic Securities está analisando dez projetos no Brasil. A ideia é compor um portfólio nas áreas de mineração, petróleo, ferrovia, energia hidrelétrica e cana de açúcar para apresentar aos clientes interessados em investir no Brasil. Os investimentos, que incluem operações de fusão e aquisição, podem chegar a US$ 10 bi.

"Esperamos fechar dois desses projetos até o fim do ano", disse o presidente da Citic, Ted Tokuchi, que participou ontem do 3.º Fórum do Mercado de Capitais Brasil-China, no Rio de Janeiro. De acordo com Tokuchi, a análise está sendo feita em conjunto com o BTG Pactual, seu parceiro no País.

Os grupos iniciaram conversas há dois anos e passaram a deter participações acionárias cruzadas após seus recentes IPOs (ofertas públicas iniciais de ações), com aportes mútuos de cerca de US$ 100 milhões. O objetivo das instituições é aproveitar oportunidades de desenvolvimento de negócios entre a China e a América Latina.

Ted Tokuchi apontou ainda os setores de matérias-primas, alimentos e infraestrutura como alvos. No caso particular do setor de infraestrutura, o executivo afirmou que ainda há entraves governamentais que dificultam a atração do investidor chinês.

Do lado da China, isso passa pelo forte controle exercido pelo governo na aprovação dos projetos - todos passam pelo crivo estatal - em outros mercados e de financiamentos dos bancos de fomento locais. Do lado brasileiro, criticou a imposição de barreiras à vinda de trabalhadores chineses para os projetos e as exigências de conteúdo local.

O executivo avalia que as duas economias são complementares e estão bem no contexto de crise econômica global, apesar das propaladas desacelerações do produto interno bruto (PIB) dos dois países. A Citic projeta um crescimento de 8% em 2012 e de 7,5% em 2013 para a China.

Parceria. O presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, assinou ontem um acordo de cooperação com a China Universal Asset Management. O memorado de entendimento vai aproximar as duas instituições, facilitando o acesso às informações dos mercados de capitais e os contatos com participantes dos mercados e órgãos reguladores. A China Universal é uma das maiores administradoras de recursos da China e está qualificada para investir no exterior.

Os investimentos chineses na bolsa brasileira chegaram a R$ 3,4 bilhões no ano passado. O aumento do intercâmbio entre os mercados de capitais do Brasil e da China deve ter como mola propulsora o segmento de derivativos. O carro-chefe dessa aproximação deve ser o lançamento mútuo de índices futuros e ETFs, os chamados fundos de índices.

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