Citigroup anuncia 1º prejuízo trimestral desde sua criação

Baixas contábeis devido à crise relacionada às hipotecas de risco levam insituição a perdas de US$ 9,83 bilhões

Fabiana Holtz, da Agência Estado,

15 de janeiro de 2008 | 09h52

O Citigroup reportou nesta terça-feira, 15, seu primeiro prejuízo trimestral desde sua criação em 1998, atingido pelas baixas contábeis devido à crise relacionada às hipotecas de risco e outros débitos.  O banco anunciou perdas líquidas de US$ 9,83 bilhões (US$ 1,99 por ação) no quarto trimestre, com a crise no subprime resultando em uma baixa contábil antes de impostos e custos com crédito de US$ 18,1 bilhões para o banco. Em igual período do ano anterior, a instituição apresentou lucro de US$ 5,13 bilhões (US$ 1,03 por ação). Os resultados do trimestre também incluem um aumento de US$ 4,1 bilhões nos custos relacionados ao portfólio de crédito ao consumo do Citi nos EUA. O mercado estimava as perdas do grupo relacionadas ao segmento de hipotecas em US$ 20 bilhões. A companhia, por sua vez, havia alertado que poderia registrar uma baixa contábil acima de US$ 11 bilhões. Ao divulgar o balanço, a empresa de serviços financeiros também informou medidas para recuperar suas finanças, com o corte de 41% nos dividendos, de US$ 0,54 para US$ 0,32 por ação, além do desinvestimento de ativos secundários. A companhia definiu os resultados do quarto trimestre como "claramente inaceitáveis". A receita do banco caiu 70% no período, de US$ 23,83 bilhões para US$ 7,22 bilhões. Em média, os analistas da Thomson Financial previam prejuízo de US$ 1,03 por ação, com a receita caindo para US$ 10,64 bilhões. As despesas operacionais do grupo subiram 18% no mesmo período, impulsionadas pelo impacto de aquisições e custos relacionados ao corte de 4.200 empregos no quarto trimestre.  Captação de recursos O Citigroup anunciou ainda que vai levantar US$ 14,5 bilhões em novos capitais através de colocação privada e oferta pública de ações preferenciais. O banco informou que vai receber US$ 6,9 bilhões de uma colocação privada, que abrange investimentos de diversos investidores estrangeiros incluindo o Government of Singapore Investment Corp., a Capital Research Global Investors, além do antigo presidente e executivo-chefe do banco Sandy Weill e sua família. O Citigroup também vai vender US$ 2 bilhões de ações preferenciais para o público. Os investimentos vão estimular a carteira do Citi e ajudar a manter os níveis de capital regulatórios após a enorme baixa contábil relacionada a hipotecas e maus empréstimos. As ações da instituição, que num primeiro momento reagiram em alta ao balanço trimestral, viraram e operavam em queda. Às 10h55 (de Brasília), os papéis recuavam 2,92% no pré-mercado.

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