Citigroup conversa com autoridades federais dos Estados Unidos

Em meio a crise de confiança executivos analisam a troca da direção ou a venda, parcial ou total, da financeira

Andrew Ross Sorkin e Louise Story, The New York Times

22 de novembro de 2008 | 21h16

Com a forte queda na Bolsa que levou rapidamente a uma explosiva crise de confiança, os executivos do Citigroup mantiveram na sexta-feira conversações com autoridades federais sobre como estabilizar a gigantesca instituição financeira que vem atravessando enormes dificuldades. Vikram S. Pandit, presidente do grupo, chamou por telefone seus funcionários para tenta tranqüilizá-los.   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  Todas as notícias sobre o Citigroup    Numa série de reuniões e telefonemas tensos, os executivos e as autoridades federais analisaram diversas opções, que incluíram a substituição de Vikram S.Pandit na condução do Citigroup ou vender toda ou parte da empresa. Discutiram também a possibilidade de um aval público do governo, ou de uma nova linha de crédito de socorro para o Citi, segundo informaram fontes próximas das conversações.   No entanto, o curso da ação continuava incerto na noite de sexta-feira e outras opções ainda poderão ser consideradas. Mas depois de um ano de perdas e um acelerado declínio no preço das suas ações, o Citigroup, que possui três trilhões de dólares em ativos e operações em muitos países, já não tem mais tempo.   Depois de uma reunião do seu Conselho na sexta-feira pela manhã, a administração do Citi e alguns membros do conselho mantiveram vários contatos telefônicos com o secretário do Tesouro, Henry M. Paulson Jr., e com o presidente do Federal Reserve de Nova York, Timothy F. Geithner, cotado para ser o novo chefe do Tesouro no governo do presidente eleito Barack Obama.   À medida que o preço das ações do Citigroup despencavam durante o dia, com uma queda de US$ 0,68, para chegar próximo dos US$3,87, o Federal Reserve monitorava atenciosamente o quanto de dinheiro as corporações e outros clientes estavam retirando do banco, disseram as mesmas fontes, acrescentando que, até agora, muitos clientes permanecem comprometidos com a instituição financeira.   Mas, com as dificuldades do Citigroup dando início a um novo capítulo dessa longa crise financeira, as autoridades do governo dizem que o Tesouro está pensando em solicitar a liberação da segunda metade do pacote de socorro financeiro de US$700 bilhões aprovado em setembro.   Não está claro se parte desse dinheiro será usado numa infusão de caixa no Citigroup, que já recebeu US$25 bilhões do governo em outubro. Um segundo pacote de ajuda de emergência para os bancos poderá ser difícil politicamente, neste momento em que o setor automotivo, em sérias dificuldades, também está recorrendo a Washington.   No final da sexta-feira, a empresa manteve contatos com seus grandes clientes corporativos. E pretende, neste domingo, colocar anúncios de página inteira nos maiores jornais do país, onde reconhece "que nossos mercados financeiros foram testados de um modo sem precedentes", mas diz que a companhia tem uma vasta gama de operações e a competência administrativa necessária para se recuperar. Chamando a atenção para o slogan da companhia, o texto conclui: "É por isso que agora, mais do que nunca, você pode estar confiante de que o Citi 'never sleeps' (nunca dorme).   Mas os executivos do Citigroup não devem dormir muito neste fim de semana, já que devem continuar analisando planos de contingência, inclusive discutindo o que devem fazer para acalmar os investidores nervosos antes da abertura da Bolsa na manhã de segunda-feira. Uma manobra defendida por Pandit é que a SEC - Comissão de Valores Mobiliários reinstale a "uptick rule", regra usada para regulamentar as operação de vendas a descoberto com ações.   Pandit e outros executivos sugeriram que o Citigroup é uma vítima daqueles que operam com essas vendas a descoberto, que alguns dizem que são os responsáveis pelo desaparecimento de outras instituições financeiras este ano.

Tudo o que sabemos sobre:
CitigroupcriseEstados Unidos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.