Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Citigroup descarta bolha de crédito no Brasil

Para presidente mundial do banco, questão preocupante do crédito é a relacionada à inflação

Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2011 | 00h00

O presidente mundial do Citigroup, Vikram Pandit, tem uma resposta padrão quando indagado se há excessos no mercado de crédito brasileiro. "Estamos confortáveis com a qualidade do crédito e não estamos (vivendo) uma bolha", afirma.

A avaliação do indiano, que comanda o terceiro maior banco dos Estados Unidos e um dos maiores do mundo, contrasta com a de alguns analistas locais e até mesmo com a do Banco Central (BC). Afinal, nos últimos meses, a autoridade monetária brasileira adotou medidas para esfriar alguns segmentos do mercado de crédito.

"A questão do crédito (que preocupa) no Brasil é a relacionada à inflação", afirmou Pandit. Ele refere-se ao fato de que os empréstimos fartos são um dos fatores que pressionam a demanda, o que, por sua vez, alimenta a alta dos preços.

O indiano, que comanda o Citigroup desde o fim de 2007, está no Brasil para participar do Fórum Econômico Mundial no Rio de Janeiro. Aproveitou a viagem para visitar a sede do banco no Brasil, em São Paulo.

Pandit usou a ocasião para tecer elogios entusiasmados à economia nacional. Destacou o crescimento do País nos últimos anos e a riqueza "natural". "Aproveitem este momento, um momento único, que trará, sim, seus desafios", disse ele, ao encerrar uma conversa de quase uma hora com jornalistas brasileiros na manhã de ontem.

Um dos desafios destacados por Pandit diz respeito à falta de mão de obra qualificada no Brasil. O outro é a necessidade de mais investimentos no País - algo que, segundo ele, está ocorrendo. Uma das razões da recente alta da inflação, observou, é o fato de que, durante a crise, muitas empresas adiaram planos de investimento. Agora, correm atrás para conseguir aumentar a capacidade produtiva.

Disso decorre o terceiro desafio. Enquanto essa capacidade de abastecimento não crescer, o governo terá de agir para esfriar a demanda. É um problema de curto prazo, observou Pandit.

Um problema global. Para ele, o criticado Banco Central brasileiro tem feito bem seu trabalho nesse sentido. A autoridade monetária tem sido duramente criticada por parte do mercado financeiro pela maneira "soft" com que vem lidando com a inflação.

Pandit afirmou que há temas difíceis para todos os países neste momento. "O Brasil não é único. Quase todos os mercados emergentes estão operando com capacidade total. Nós devemos olhar muito cuidadosamente para ver se a inflação está afetando um país."

Para Pandit, "não há respostas simples". "Há planos a serem implementados. Mas me sinto bem ao ouvir tudo o que tenho ouvido em todo o País", afirmou.

Ameaça inflacionária

VIKRAM PANDIT

PRESIDENTE MUNDIAL DO CITIGROUP

"O Brasil não é único. (...)

Nós devemos olhar muito cuidadosamente para ver se a inflação está afetando um país"

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