Citigroup rebaixa recomendação sobre títulos do Brasil

O Citigroup em relatório sobre estratégia para os mercados emergentes globais, mudou a recomendação para a compra de títulos da dívida externa brasileira de overweight (positiva, ou seja, acima do peso normal de mercado) para moderate underweight (moderadamente negativa, ou seja, um pouco abaixo do peso normal de mercado). Ao explicar os motivos do rebaixamento da recomendação, o banco afirmou que a cautela aumentou com a deterioração do ambiente externo, não havendo qualquer influência de fatores internos da economia brasileira. O conglomerado bancário fez questão de afirmar que mantém a avaliação positiva quanto aos fundamentos da economia brasileira e continua acreditando no cumprimento da meta fiscal. ?Continuamos recomendando investimento no mercado local?, disse um executivo do banco. O estrategista do Citigroup Thomas Trebat justifica que tal recomendação é adequada à postura mais cautelosa assumida pela instituição, por conta da perspectiva de alta no juro norte-americano e que potencialmente impõe desafio ao mercado de crédito para os emergentes. "Uma visão mais defensiva no médio prazo é melhor representada por meio de um underweight no Brasil, dados os fatores técnicos fracos e o elevado nível da dívida pública e privada", diz o analista.O relatório assinado por Thomas Trebet diz que o mercado da dívida brasileira, por seu tamanho e importância nos mercados globais, está particularmente vulnerável à deterioração no ambiente externo. "Possui um beta elevado e ainda é um dos créditos mais vulneráveis a retração global no apetite por risco", diz o relatório. Além disso, o financiamento brasileiro deve tornar-se uma preocupação ao longo do ano. O estrategista diz que o Brasil deve captar US$ 2,5 bilhões no mercado externo e que, embora tal montante não seja elevado em comparação ao montante presente no mercado e o país não tenha necessidade de captar o total dos US$ 2,5 bilhões, a perspectiva de tal colocação pode atingir negativamente os spreads. Posição construtiva O Citigroup disse que mantém posição construtiva em relação aos mercados brasileiros locais, diante do contínuo fortalecimento das exportações e das perspectivas de queda nas taxas de juro, além de ampliação na demanda agregada. "Em contraste à situação da dívida externa brasileira, a moderação recente da inflação e o forte desempenho da balança comercial devem ser favoráveis às taxas de juro domésticas e à moeda", diz o relatório assinado pelo estrategista Thomas Trebet. O relatório diz que, apesar da pressão interna para corte no juro doméstico, "acreditamos que o ambiente monetário não mudará significativamente". Mas, segue o relatório, o Banco Central deve continuar a flexibilizar sua política monetária após o corte de 0,25 ponto percentual dessa semana, já que houve aparente moderação na demanda doméstica no primeiro trimestre do ano, após forte alta no fim do ano. O relatório diz ainda que a instituição "acredita que a economia continua a expandir-se em ritmo moderado nos próximos meses".

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