Citigroup tem prejuízo de US$ 8,3 bi e se divide em dois

Após quinto trimestre consecutivo de prejuízos, banco revelou um amplo plano de reestruturação

Ana Conceição, da Agência Estado, e Reuters,

16 de janeiro de 2009 | 09h56

O Citigroup revelou nesta sexta-feira um amplo plano de reestruturação criado para eliminar operações de baixo desempenho e ativos com problemas. A instituição informou ainda que teve prejuízo de US$ 8,29 bilhões no quinto trimestre consecutivo de perdas. O prejuízo trimestral equivale a US$ 1,72 por ação e se compara à perda de US$ 9,8 bilhões, ou US$ 1,99 por ação, de um ano antes.   Veja também:Governo dos EUA injeta US$ 20 bi no Bank of AmericaSenado dos EUA rejeita bloqueio a resgate; Obama agradeceDe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  O Citigroup está se dividindo em duas unidades operacionais. A Citicorp vai se concentrar nas operações bancárias e a Citi Holdings irá se dedicar a corretagem, gestão de ativos e financiamento a consumidor e vai reunir ativos do grupo que precisam de gestão especial. A reorganização é parte do plano da companhia de abandonar o modelo "supermercado" que por muito tempo definiu suas atividades. O processo foi iniciado nesta semana quando o Citi concordou em juntar sua corretora Smith Barney com o negócio de administração de riquezas operado pelo Morgan Stanley, o que criará a maior corretora do mundo. O Citi disse nesta sexta-feira que planeja fazer a transição para as duas unidades o mais rápido possível. A companhia está em busca de um executivo para liderar o Citi Holdings. Prejuízo O maior negócio do Citi, a divisão de consumer banking, registrou queda de 22% na receita por causa da retração nas vendas de produtos de investimento e da receita dos serviços de hipotecas. Recuos similares foram vistos nas operações com cartões de crédito e clientes institucionais, incluindo as operações com títulos de dívida e banco de investimentos. A divisão de gerenciamento de riquezas, incluindo as operações de private banking e o Smith Barney, teve receita 18% menor no último trimestre de 2008. Os investidores do Citigroup, que no início do ano passado, começaram a acreditar que o pior da crise tinha passado, viram a instituição ser uma das mais atingidas pela crise de crédito, e agora os problemas parecem longe de terminar. O banco foi líder na criação e comercialização de alguns dos títulos exóticos que estiveram no coração da crise.  O Citi cortou 50 mil empregos, cerca de 15% de sua força de trabalho no mundo, e agora procura cortar custos para aumentar sua liquidez. Seus dois principais dirigentes, o executivo-chefe, Vikram Pandit, e o presidente, Win Bischoff, renunciaram a seus bônus anuais, e os prêmios de outros executivos de alto escalão serão reduzidos substancialmente, segundo declarações de Pandit no mês passado. No início deste mês, o conselho do Citi apoiou a permanência de Pandit no cargo, apesar dos prejuízos crescentes da companhia. Desde que foi nomeado executivo-chefe, em dezembro de 2007, ele não conseguiu interromper a sangria financeira da instituição, apesar da injeção de US$ 45 bilhões feita em novembro pelo governo norte-americano, que o tornou o maior acionista do Citigroup.  Ajuda O Citigroup também informou nesta sexta ter finalizado os termos do acordo pelo qual o governo dos EUA vai garantir US$ 301 bilhões em ativos da instituição. O acordo foi fechado com várias instituições federais norte-americanas, entre elas o Departamento do Tesouro, a Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC) e o Federal Reserve de Nova York.  A garantia dos ativos faz parte do Loss Sharing Program, algo como programa de partilha de perdas, anunciado em novembro do ano passado. Pelo programa, o governo dos EUA irá garantir US$ 301 bilhões em ativos lastreados por imóveis residências e comerciais, empréstimos ao consumidor, entre outros. O período de cobertura será de cinco anos para os ativos com lastro não-residencial e de dez anos para os ativos lastreados residenciais.  Mais cedo, funcionários do governo dos EUA revelaram no início desta sexta-feira o fechamento de um acordo para conceder ao Bank of America (BofA) uma ajuda adicional de US$ 20 bilhões em capital e até US$ 118 bilhões em proteção contra perdas em seus ativos. O Tesouro e a Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC, na sigla em inglês) vão fornecer proteção para os ativos do banco, que já haviam sido marcados para o atual valor de mercado.

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