Citricultores paulistas querem migrar para outras culturas

Lideranças do setor pediram ao governo uma linha especial de crédito para erradicar pomares e plantar milho ou soja

VENILSON FERREIRA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2013 | 02h07

As lideranças da citricultura paulista fizeram ontem ao governo um sugestão drástica para enfrentar o problema da queda de preços que há três anos pressiona as margens de lucratividade do setor. Eles pediram a criação de uma linha especial de crédito para financiar a erradicação de pomares, a fim de que tenham condição de migrar para outras culturas, como milho e soja. O governo vai estudar a proposta.

O presidente da Câmara Setorial de Citricultura, vinculada ao Ministério da Agricultura, Marco Antonio do Santos, disse que a saída de produtores da citricultura vem crescendo nos últimos anos, seja pelo arrendamento das áreas para as usinas de cana-de-açúcar ou parcerias com outros agricultores, que têm máquinas e equipamentos para iniciar o cultivo de grãos. Ele diz que alguns estudos apontam perda de 80 mil hectares em São Paulo.

Mesmo com a retração de área, o fantasma do excesso de oferta continua assombrando a citricultura paulista. Apesar da perspectiva de colheita de 281 milhões de caixas de 40,8 kg na safra 2013/14 - 83 milhões de caixas abaixo do colhido na safra passada -, os preços da laranja seguem pressionados pelos altos estoques nas indústrias, parte atrelada ao financiamento concedido pelo governo ao setor há dois anos, para controlar a oferta.

Prorrogação. A questão do financiamento das indústrias foi um dos assuntos discutidos com o governo. Marco Antonio contesta a informação das indústrias, de que 311 mil toneladas de suco estejam atreladas ao financiamento de estocagem. Ele diz que as informações do governo dão conta de que algumas indústrias liquidaram o financiamento e restam apenas 150 mil toneladas de suco dadas em garantia na tomada do crédito.

Os produtores também pediram ao governo a inclusão da laranja na política de preços mínimos, para que o setor possa contar com os mecanismos de apoio à produção nos momentos de baixa rentabilidade. Eles reforçaram o pedido de continuidade dos leilões de Prêmio Equalizador pago ao Produtor (Pepro), que na safra 2012/13 subsidiou a comercialização de 30 milhões de caixas de laranja, vendidas às indústrias por R$ 10,10 a caixa. O subsídio foi de R$ 4,50 por caixa e as operações custaram R$ 135 milhões aos cofres públicos.

Marco Antonio disse que desde janeiro está buscando entendimentos como governo para definir as medidas de apoio à citricultura. O principal interlocutor do setor era o ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz, que deixou o cargo logo após a posse do novo ministro Antônio Andrade. Agora, o assunto está sendo tratado na Secretaria de Política Agrícola. O presidente da câmara setorial disse que o comportamento do mercado nesta safra é uma incógnita, pois os preços podem reagir no segundo semestre, por causa da redução da safra no Brasil e nos EUA.

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