Claro muda comando em meio a consolidação

João Cox, que será substituído pelo mexicano Carlos Zenteno, afirma que decidiu deixar a empresa por motivos pessoais

Naiana Oscar / SÃO PAULO Karla Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

Depois de quatro anos na presidência da Claro, João Cox pediu demissão e anunciou ontem que está deixando a empresa. A saída dele tornou-se pública uma semana após a visita dos executivos mexicanos da controladora América Móvil ao Brasil. Eles vieram tratar dos planos de crescimento da empresa e da integração com a Embratel - ambas do bilionário mexicano das telecomunicações Carlos Slim.

No e-mail de despedida enviado aos funcionários, Cox diz ter optado "por dar sequência a projetos pessoais adormecidos". Mas segundo fontes do mercado, o executivo decidiu sair porque não aceitou ser rebaixado a "segundo homem" da empresa no País. Quem assume o cargo, a partir de 30 de agosto, é o mexicano Carlos Zenteno, que até então comandava as operações da companhia nos vizinhos Argentina, Uruguai e Paraguai. O substituto dele nesses países ainda não foi definido.

A mudança no alto escalão da Claro coincide com o processo de integração da empresa com a Embratel. A união das duas companhias vem sendo estudada desde janeiro depois que a América Móvil, dona da Claro, passou a controlar também a Telmex, operadora fixa. A ideia de Slim é unir Claro, Embratel e a Net (onde Slim já tem uma participação), para criar uma empresa capaz de oferecer telefonia fixa, celular, TV paga e banda larga, fazendo frente à Telefônica integrada à Vivo e à Oi, que, com os portugueses, deve recuperar a capacidade de investir.

A fusão, no entanto, ainda não foi anunciada oficialmente. Há dois meses, quando veio a público a intenção de Slim de unificar as duas empresas, Cox já não era mencionado como o escolhido para comandar a operação da companhia que será criada com a fusão. O preferido do empresário mexicano seria José Formoso Martínez, presidente da Embratel. A troca no comando da Claro é vista pelo mercado como uma transição. "Como as culturas são diferentes, as administrações devem ficar separadas por um período", disse um consultor.

A América Móvil, por enquanto, estuda qual das duas empresas tem mais eficiência operacional. Em algumas áreas, como a de engenharia, já se constatou a necessidade de manter os executivos das duas companhias, mas em outras, por causa da sobreposição de equipes, deve haver demissões.

Projetos pessoais. Em entrevista ao Estado, Cox ressaltou que está saindo por questões pessoais. "Não tenho nenhum problema com a empresa ou com os acionistas", disse. "Vou me dedicar à família e a alguns investimentos. Sempre quis empreender, mas não tinha tempo." Ele diz não ter mais interesse de atuar como executivo.

Na correspondência em que enviou aos funcionários, Cox falou do salto que a Claro deu nos quatro anos de sua gestão: a receita cresceu de R$ 5 bilhões para R$ 13 bilhões; a geração de caixa saiu de R$ 300 milhões negativos para R$ 3,3 bilhões; a empresa conquistou 28 milhões de novos clientes e a vice-liderança de mercado (ultrapassando a TIM em 2008).

Faturamento

R$ 7 bilhões foi a receita líquida da Claro, Embratel e da Net no segundo

trimestre deste ano. É o terceiro maior faturamento entre as teles no País, atrás da Oi e da Vivo

25,3% foi a participação de mercado da empresa em telefonia móvel no segundo trimestre

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.