Claro pagou mais do que esperava pelas licenças

Presidente da operadora afirma que todos se surpreenderam e que projetava ágios menores

Beth Moreira e Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2007 | 00h00

A Claro foi a operadora que pagou o maior ágio médio no leilão das licenças de terceira geração da telefonia celular (3G), que terminou ontem em Brasília. Suas ofertas ficaram 103,6% acima do preço mínimo. "Foi uma surpresa para todo mundo", afirmou o presidente da Claro, João Cox. "Acho que ninguém esperava 100% de ágio. Todos vão ter de sentar e fazer as contas de novo."Além de pagar o maior ágio, a Claro também será a operadora que vai desembolsar o maior montante pelas suas licenças, num total de R$ 1,4 bilhão. Quando se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro, o mexicano Carlos Slim Helú, dono da Claro, anunciou que a operadora planeja investir R$ 2 bilhões no Brasil no próximo ano.Cox descartou redução do ritmo de implantação da rede por causa do ágio elevado pago no leilão. "O apetite de investimento ficou evidente no ágio", disse o executivo. "A gente investe o que for necessário." Ele reconheceu que a presença da Nextel no primeiro dia, a quinta concorrente num leilão com quatro licenças por área, elevou as ofertas. Mas destacou que, no segundo dia, na disputa pelo Triângulo Mineiro, também houve cinco interessados, mesmo sem a presença da Nextel.O presidente da Claro considera que a empresa atingiu seu objetivo ao conquistar uma cobertura nacional com a compra de licenças no leilão de freqüências de 3G. "A Claro é um jogador de longo prazo, e entende do negócio", comentou o executivo. Cox não revelou qual será o investimento no novo segmento, nem a estratégia de obtenção de recursos para o pagamento das licenças. De acordo com o presidente, finalizada a disputa de 3G, a Claro precisa agora fazer o dever de casa. Na avaliação do executivo, o cenário de concorrência após o leilão dependerá do preço dos aparelhos, das tarifas e do atendimento. "A Claro não pretende mudar muito sua estratégia, que está dando certo." A Claro já oferece serviços em 3G, em freqüências que já possuía.NATALSobre as vendas de fim de ano, Cox comentou que houve um crescimento no último final de semana, após um período de estabilidade, nos primeiros dez dias de dezembro em relação a novembro. Ele não quis revelar, porém, os números envolvidos. De janeiro a outubro, a base de clientes da Claro aumentou 27% em relação ao mesmo período de 2006, chegando a 28,6 milhões. A empresa possui hoje uma fatia de 25% do mercado. Segundo Cox, a empresa conseguiu aumentar sua participação de mercado nos últimos 21 meses consecutivos. "Somos a empresa com maior Ebitda, apesar de mantermos fortes subsídios nos aparelhos", disse o executivo. Ebitda é a sigla em inglês que identifica lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

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