Claro se compromete com a Anatel a investir R$ 5,8 bi até o fim de 2013

Com as vendas de chips suspensas em três estados, a Claro colocou na mesa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) um plano de investimento de R$ 5,8 bilhões até o fim de 2013. Além dos R$ 3,5 bilhões já anunciados para 2012, a companhia orçou mais R$ 2,3 bilhões a serem aplicados na melhoria da qualidade de sua rede no que vem.

MÔNICA CIARELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h04

Em entrevista à Agência Estado, o presidente da operadora, Carlos Zenteno, revelou que a Claro vai antecipar investimentos no País para atender às exigências de qualidade do órgão regulador.

"Vamos ter que adiantar investimentos. (...) É muito importante ressaltar que nesse valor não está incluído todo o investimento em 4G que faremos", afirmou. A Claro foi suspensa pela Anatel de comercializar chips em São Paulo, Sergipe e Santa Catarina.

Na última sexta-feira, Zenteno foi chamado a Brasília para participar de mais uma rodada de negociações com a agência reguladora do setor. Com 310 páginas, o plano de ação apresentado pela Claro à Anatel já está em sua quarta versão. Mas, desta vez, o presidente deixou Brasília bem mais otimista.

"Esperamos ter boas notícias nos próximos dias", previu. "Não tivemos nenhum comentário adicional. (...) Entendemos que esse plano já é o final, não deve ter mais mudanças", completou Zenteno.

Sem novos questionamentos pela Anatel, Zenteno acredita que a companhia estará liberada para vender chips antes do Dia dos Pais, uma das principais datas do comércio.

Outra estratégia da companhia para demonstrar o interesse na melhoria do serviço foi detalhar para Anatel o investimento na construção de um cabo de fibra óptica que irá do Rio de Janeiro até Miami, passando por Fortaleza, para funcionar no início do próximo ano.

Orçado em R$ 988 milhões, o cabo, segundo o executivo, deixa a companhia mais preparada para atender ao crescimento de demanda esperado para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 no Brasil.

Por conta desses eventos, Zenteno acredita que a Anatel optou por cobranças mais amplas ao analisar o plano de ações da operadora. Tanto que foi preciso elaborar um documento detalhando todo o investimento mensal que será feito em cada Estado brasileiro até 2013. "É um relatório extenso. Tem estado por estado e cada investimento que faremos mensalmente", afirmou.

Com essa estratégia, observou, a Anatel quer evitar problemas de comunicações durante os grandes eventos internacionais no País, em especial na Copa das Confederações, já marcada para o ano que vem.

O presidente adiantou que o documento contém ainda o compromisso da empresa de ter indicadores de qualidade para cada Estado. Os dados, segundo ele, devem estar disponíveis ao público por meio do órgão regulador.

Perdas. Zenteno admite que as perdas serão grandes com a suspensão das vendas, especialmente no mercado paulista. "A suspensão incluiu o principal mercado do País. O perfil de consumo de São Paulo é o mais elevado", disse.

A Claro foi proibida de vender nos Estados que somam cerca de 30% dos celulares da empresa. A operadora encerrou o segundo trimestre com 62,9 milhões de linhas ativas no Brasil, um crescimento de 13,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa é a terceira colocada no mercado brasileiro, com 24,59% de participação, atrás de Vivo (29,63%) e TIM (26,88%), segundo dados de maio da consultoria Teleco.

Zenteno lamentou o critério de punição da Anatel para a Claro, que se baseou apenas na qualidade do atendimento de call center. Segundo ele, a operadora atingiu todos os indicadores de desempenho de rede exigidos pela Anatel nos últimos meses.

"Nós fomos bastante afetados com os critérios (escolhidos pela Anatel). Não foi um problema com a qualidade da rede", afirmou. Para Zenteno, a entrada em operação de um novo call center inteligente em setembro vai melhorar muito a qualidade do atendimento prestado pela Claro aos clientes. O novo call center vai consumir R$ 15 milhões em investimentos.

A Anatel determinou a suspensão das vendas de novas linhas das operadores com piores indicadores de qualidade por Estado. A medida entrou em vigor no último dia 23. A liberação das vendas dependerá da aprovação da Anatel de planos de investimento apresentados por cada operadora para melhorar a qualidade do serviço.

Além da Claro, a TIM e a Oi também foram penalizadas. A TIM foi proibida de vender novas linhas em 18 Estados e no Distrito Federal, regiões que respondem por 64% do seu mercado. Já a Oi foi afetada em cinco Estados, que representam menos de 6% de suas linhas ativas. A Vivo foi a única operadora que não foi suspensa em nenhum Estado.

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