Classe alta é a mais atingida pela crise mundial, aponta FGV

Critérios da FGV definem as classes "A" e "B" como aquelas com renda superior a R$ 4.592 por mês

Agência Brasil

11 de fevereiro de 2009 | 18h16

As classes "A" e "B", as mais altas da pirâmide social brasileira, perderam espaço em termos de ascensão social desde o agravamento da crise financeira internacional em setembro do ano passado, caindo 0,65% no período compreendido até dezembro. A constatação é da Fundação Getulio Vargas, que divulgou nesta , no Rio de Janeiro, estudo sobre a mobilidade social no país com a crise.   Veja também: As medidas do emprego De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    "As pessoas com renda mais alta estão vinculadas aos canais de impacto da crise, como o setor exportador, financeiro e imobiliário. A boa notícia é que esses setores são menos importantes aqui do que em outros países, em termos de emprego, de indicadores de renda", disse o economista Marcelo Néri, que coordenou a pesquisa "Crônicas de uma Crise Anunciada: Choques Externos e a Nova Classe Média".   No mesmo período dos dois anos anteriores - 2007 e 2006 - as classes "A" e "B" subiram 3% na pirâmide. O autor da pesquisa, Marcelo Néri, explicou que, se antes, de cada 100 pessoas que estavam nas classes "A" e "B" 20 caíam a cada ano, hoje, essa relação chega a 25. "É aí que os sinais da crise são mais visíveis", constatou. Dessas 25 pessoas, quatro caíram diretamente para a classe "E".   Os critérios da FGV definem as classes "A" e "B" como aquelas com renda superior a R$ 4.592 por mês. A classe "C" tem uma renda de R$ 1.064 a R$ 4.591. O segmento "D" possui um rendimento entre R$ 768 a R$ 1.064. Abaixo de R$ 768, as pessoas são enquadradas na classe "E".   Néri explica que é provável que sejam pessoas que perderam o emprego ou faliram por conta da crise. Néri observou que o fato de a economia brasileira ser relativamente fechada e regulada garantiu uma maior proteção de choque financeiros externos.   O levantamento da FGV aponta, no entanto, que a crise não afetou tanto a classe "C", onde o movimento de ascensão não foi interrompido. A classe média emergente continua crescendo nas seis principais metrópoles do País (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre). O estudo mostra que, em dezembro de 2008, a classe média ("C") passou a representar 53,8% da população. No mesmo período de 2007, esse percentual era de 51,8%.   As classes "D" e "E" também continuaram encolhendo comparado aos anos anteriores, de acordo com a FGV. Enquanto 6,79% da classe "D" migrou para classes mais altas. Na classe "E", esse percentual chegou a 8%.   Marcelo Néri ressaltou a importância das políticas públicas de transferência de renda e injeção de demanda pública em momentos como este. Ele citou como exemplo o programa Bolsa Família que, segundo ele, atende 25% da população brasileira. Na opinião do economista, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) é outra ferramenta importante no amortecimento da crise na economia do país, além de melhorar a logística local.   Néri alertou que, embora as políticas públicas sejam necessárias, elas não são suficientes no longo prazo. "Se a gente gastar muitos recursos de maneira errada, no futuro, quando a crise passar, estaremos com o freio de mão puxado." Ele defendeu instrumentos que criem microcréditos, abonos, microsseguros e investimento em educação para que o país e as classes mais pobres enfrentem os efeitos futuros da crise.

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