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Classe B volta a ter mais de 50% do consumo

Parcela que equivale a 35,4% dos domicílios urbanos vai consumir cerca de R$ 1,55 tri este ano

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

27 de abril de 2014 | 02h05

O mercado consumidor será marcado pela retomada da classe B neste ano. O estudo desenvolvido pela consultoria IPC Marketing mostra que essa parcela da população - equivalente a 35,4% do total de domicílios urbanos do País - vai responder por 50,84% (aproximadamente R$ 1,55 trilhão) do potencial de consumo no Brasil.

Os números se confirmados vão mostrar uma recuperação da classe B. Em 2013, esse extrato da população tinha diminuído em relação a 2012 - uma queda de 50,02% para 48,52%.

A classe A também deve aumentar a fatia no consumo: a participação subirá de 19,26% no ano passado para 19,52%. "A força do novo consumo está nas classes A e B. A classe emergente - que já foi tão destacada - ainda tem a maior quantidade de domicílios, mas ela perde força", diz Marcos Pazzini, diretor do IPC Marketing. Pelo levantamento, a classe C deve responder por 26% do potencial de consumo, nível mais baixo desde 2005.

A mudança na estrutura do consumo continua mesmo com uma economia mais desaquecida. A população continua comprando e, consequentemente, mudando de classe social. Isso ocorre porque o Critério Brasil, da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep) e adotado pelos institutos de pesquisas, leva em conta a posse de bens e o nível de escolaridade do chefe da família para classificar os domicílios. "Essa migração social positiva está numa segunda e até terceira onda. A primeira onda foi a migração das classes D e E para a classe C. A segunda onda da classe C para a B, e a terceira onda da classe B para a classe A", afirma Pazzini.

A expectativa da consultoria é que o consumo das famílias continue a crescer de 1,8% a 2% neste ano, acima do Produto Interno Bruto (PIB).

Um dos principais fatores que impulsiona a mobilidade social é a criação de emprego formal, segundo o presidente do Instituto Data Popular, Renato Meirelles. No mês passado, a desocupação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou em 5% nas seis regiões metropolitanas pesquisas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre). O resultado foi o mais baixo para meses de março desde 2002, quando tem início a série histórica. "A economia pode não estar tão boa, o consumo das famílias está crescendo menos, mas o emprego e a geração de renda proveniente dele continuam forte."

Gasto. O estudo da IPC Marketing também identificou como o brasileiro vai gastar o dinheiro este ano. A maior parte - R$ 770,57 bilhões - vai para a manutenção do lar. Nesse item, estão incluídas despesas como aluguel, conta de luz, água e telefone. "É uma realidade do brasileiro esse elevado custo da moradia", diz Pazzini.

O segundo maior gasto do ano será com outras despesas (R$ 659,56 bilhões). Nesse item, o peso maior é com dívidas. "Boa parte da melhoria dessa ascensão é por causa da aquisição de bens de consumo. Normalmente, eles não são comprados à vista, mas no crédito. O crescimento desse item tem a ver com o aumento dessas compras feitas a prazo", afirma o diretor do IPC Marketing.

Na sequência, aparecem alimentação no domicílio (R$ 314,01 bilhões) e alimentação fora do domicílio (R$ 156,57 bilhões). "Quanto maior o peso dessas despesas básicas, pior. Acaba sobrando menos dinheiro para itens que não são de primeira necessidade,", afirma Pazzini.

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