Classe C compra mais bilhetes aéreos

Setor aéreo foi um dos que apresentaram melhor resultado, com o grande aumento no número de passageiros

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

Na última sexta-feira, o motoboy e segurança João Batista Cassiano, de 34 anos, comprou três passagens de avião, para Campina Grande, na Paraíba. No dia 8 de janeiro ele embarca com a mulher e a filha de férias para a sua terra natal, onde pretende ficar por 20 dias.

"Eu tinha medo de viajar de avião, mas já fui duas vezes e gostei", disse Cassiano, que vai desembolsar R$ 2 mil em seis vezes no cartão de crédito, porque ele não gosta de ter financiamentos longos. "Em menos vezes é melhor."

O motoboy já tem casa própria e carro e não está disposto a perder dois dias e meio na estrada até Campina Grande. "De avião gasto três horas em voo direto e cinco horas com escala."

A viúva Maria Marta Souza Campos, de 56 anos, também vai para o Nordeste em janeiro. Mas o seu destino será Recife (PE), onde vai passar 20 dias de férias com uma amiga, que planeja visitar a filha.

Pensionista da Previdência, Maria Marta tem renda mensal de R$ 2 mil e gastou na sexta-feira R$ 787 com as passagens de avião de ida e volta. "Paguei à vista porque não gosto de compra parcelada", contou ela.

São consumidores emergentes da classe C que nunca viajaram de avião, como Cassiano e Maria Marta, que têm impulsionado as vendas do setor aéreo. Segundo o estudo da Serasa Experian, um dos destaques do setor de serviços no terceiro trimestre foi o transporte aéreo. "Houve aumento do número de passageiros por causa do crescimento da renda média da população e das vendas parceladas como estratégia para captar os novos clientes da classe C", afirmou Marcos Abreu, responsável pelo estudo.

Vai fazer um ano em dezembro que a Gol abriu no Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, reduto de comércio popular, a primeira loja física do Voe Fácil. Trata-se um programa que permite o parcelamento de passagens em até 36 meses, com prestações mínimas a partir de R$ 15 mensais.

A decisão de ter uma loja física de um programa de vendas pela internet foi tomada porque a companhia percebeu que esse tipo de cliente gosta de ter contato com o vendedor. Animada com o desempenho da loja, a companhia planeja mais quatro pontos de venda em regiões de comércio popular até o fim do ano que vem.

De acordo com a Gol, o Voe Fácil tem cerca de dois milhões de clientes cadastrados e responde por 4% dos bilhetes vendidos pela empresa. Cerca de 70% dos clientes são da classe C e 10% da classe D.

O parcelamento longo, em 36 meses, o equivalente a três anos, que inicialmente poderia atrair essa camada da população não é, na prática, o que chama a atenção desses consumidor. A maioria dos clientes ouvidos pelo Estado na sexta-feira informaram que está adquirindo as passagens à vista ou em um número reduzido de parcelas.

PRESTE ATENÇÃO

1. A taxa de desemprego da economia brasileira atingiu em setembro 6,2%, o nível mais baixo da série histórica iniciada em março de 2002 pelo IBGE. A desocupação caiu por causa da abertura de novas vagas e não porque as pessoas desistiram de procurar trabalho

2. O rendimento médio real dos trabalhadores em setembro atingiu R$ 1.499.

O valor é 6,2% mais alto do que o verificado durante o mesmo mês de 2009

3. O número de pessoas ocupadas no mês de setembro aumentou 3,5% na comparação o mesmo período do ano passado. No total, foram criadas 762 mil vagas. O número de desocupados caiu em 17,7%, para 1,48 milhão

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