Classe C compra no atacado para preservar assinatura da internet

Pesquisas mostram que primeiros itens na lista de cortes são as refeições fora de casa e o lazer

Alexa Salomão e ANDERSON BANDEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2015 | 22h00

Tanto as pesquisas da Nielsen, quanto as da Plano CDE identificam um padrão de comportamento na hora de a classe C fazer economia. Os primeiros itens na lista de cortes são as refeições fora de casa e o lazer. Paralelamente, as famílias vão mudando a relação com os estabelecimentos de compras: abandonam o mercado que cobra mais caro e passam a visitar vários supermercados em busca de promoções. Migrar para o atacado aparece como uma alternativa cada vez mais usual. Acompanhamento realizado pela Abad, associação dos atacadistas, em parceria com a Nielsen, mostra que quase 25% das famílias das classes D e C já compram no atacado. Este tipo de estabelecimento se tornou mais acessível à medida que puderam comprar um carro. 

Outro comportamento padrão é que as famílias relutam em penalizar os filhos. Segundo Maurício Prado, da Plano CDE, um bom exemplo do que isso significa está na relação com a internet e a TV a cabo. Na pesquisa da Plano, as famílias reclamam que os dois serviços agora pesam no bolso, mas nenhum deles aparece na lista de itens que já foram cortados, nem dos que podem ser reduzidos. “Muitas famílias de classe C moram em bairros com problemas de violências”, diz Prado. “Internet e TV paga fazem parte do lazer do filho e o mantém em segurança dentro de casa.”

O técnico de enfermagem Adriano Veríssimo da Silva, de 38 anos, e a enfermeira Simone Carvalho Neves, de 37, que vivem em Recife, capital de Pernambuco, chegaram a fazer uma reunião com os dois filhos para discutir o cancelamento da TV a cabo e da internet. Com uma renda de três salários mínimos e o preço de tudo subindo, inicialmente pareceu uma decisão razoável. “Concluímos que não tinha como”, diz Silva. Como passeios em família estão cada vez mais raros e há trabalhos de escola a fazer, os dois gastos foram mantidos. Para economizar, apenas limitaram o uso da internet. No máximo são três horas por dia. Em compensação, a família tem economizado de outras maneiras. Compra “o grosso” no atacado e poupa energia, mantendo as luzes desligadas e os equipamentos elétricos fora da tomada quando não estão em uso. 

Mais conteúdo sobre:
Crise

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.