Classe C cresce e é dividida para análise socioeconômica

Critérios de classificação da Abep mudarão a partir do ano que vem

Vera Dantas, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2024 | 00h00

Os critérios de classificação socioeconômica do brasileiro vão mudar no próximo ano. O aumento do poder de consumo da baixa renda foi um dos elementos que mais pesaram na revisão dos critérios que servem para definir as classes sociais nas pesquisas de mercado. Na mudança, que começou a ser estudada há dois anos pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep) , a classe C será subdividida em duas, C1 e C2 , como já são as classes A e B. Além disso, os bens de consumo utilizados na definição do perfil econômico do brasileiro passam a ter novas pontuações.É a primeira mudança importante efetuada pela Abep em sete anos no chamado Critério Brasil, sistema de pontos que, somados, servem para dividir a população brasileira em classes sociais conforme sua capacidade de compra. Até 1969 cada instituto de pesquisa usava um critério diferente para classificação, mas a partir de 1970 houve uma padronização, que foi sendo alterada até se chegar ao Critério Brasil, em 1997.''''O Critério Brasil, adotado por todas as empresas que fazem pesquisas, precisava ser atualizado'''', diz o coordenador do comitê responsável pela mudança, Ney Luiz Silva.Ele observa que nos últimos anos houve uma migração da classe D, de menor poder aquisitivo, para a classe C ,que ficou mais heterogênea. ''''Quando uma classe cresce muito e passa a ser integrada por grupos com comportamentos diversificados é mais difícil fazer previsões de consumo'''', diz. E foi o que aconteceu, principalmente por causa do aumento do poder de compra da população, beneficiada pelo crescimento da oferta de crédito e pela melhoria da renda . Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE, a renda do trabalhador brasileiro teve em 2006 o maior avanço em 11 anos. O aumento da renda foi impulsionado pela retomada da economia e protegido pelo controle da inflação.Com mais dinheiro na mão o consumidor foi às compras . ''''Ficou mais fácil o acesso a determinados bens. Por isso, muitos consumidores migraram de uma classe para outra, mas não significa necessariamente que eles ficaram mais ricos. Daí a necessidade de ajuste.''''A coordenadora de Atendimento do instituto de pesquisa LatinPanel, Maria Andréa Ferreira, concorda com a necessidade de atualização do critério. ''''A classe C se destacou nos últimos anos por causa do aumento do seu poder de compra e muitos mudaram de faixa de consumo'''', diz a coordenadora.A classe C, que correspondia a 36% da população nas regiões metropolitanas do País em 2000, passou a representar 39% em 2005. A classe D, na mesma comparação, caiu de 31% para 29% nesse período. Já as classes A e B permaneceram praticamente iguais em representatividade nesse intervalo de tempo. Pelo novo critério, a classe C passa a representar 43% da população (distribuída entre C1, com 21% e C2, 22%). Mas a alteração nesse caso é técnica para melhorar a precisão no cálculo de pontuação.Hoje, para pertencer à classe C, o consumidor precisa ter de 11 a 16 pontos, obtidos com base na posse de itens, como televisor e automóvel. A partir de janeiro de 2008, se ele tiver de 14 a 27 pontos, será classificado como C2, e, se alcançar entre 18 e 22 pontos, será visto como um consumidor C1.

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